Alberto Valdes/EFE
Alberto Valdes/EFE

Jovem de 16 anos é empurrado em rio durante confronto com a polícia em protesto no Chile

Um policial está preso acusado de tentativa de homicídio; menor sofreu ferimentos, mas encontra-se estável

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2020 | 20h35

SANTIAGO - Um policial chileno foi preso neste sábado, 3, depois de uma investigação do Ministério Público do país que apurou que ele teria causado a queda de um jovem de 16 anos no Rio Mapocho, em Santiago. Na noite de sexta-feira, 2, o menor foi empurrado da ponte Pio Nono, pelo menos cinco metros acima do leito quase seco do rio, durante um confronto entre manifestantes e a polícia local. O rapaz ficou ferido, mas não corre risco de vida e seu estado de saúde é estável.

O incidente ganhou repercussão depois que vídeos mostrando diferentes ângulos da ação policial durante o protesto foram veiculados nas redes sociais. Imagens gravadas por uma emissora de televisão mostram o jovem caindo no canal depois de ser jogado sobre o parapeito da ponte pelas mãos que seriam do policial.

O governo do Chile lamentou o ocorrido. “Condenamos, como sempre fizemos, todos os atos de violência e violação dos direitos humanos, mas acreditamos que são as investigações que devem esclarecer se os protocolos dos Carabineros foram cumpridos e se os fatos constituem crime ou não", disse em nota o ministro do Interior, Víctor Pérez. Segundo o ministro, depois de múltiplas denúncias de organizações internacionais sobre violações dos direitos humanos por parte da polícia durante protestos, “os carabineros têm feito esforços para que todas as suas ações estejam dentro dos protocolos".

Acusado de tentativa de homicídio, o policial será levado a tribunal no domingo. Após o anúncio da prisão, mais de mil pessoas foram à Plaza Italia, na região central de Santiago, para protestar com bandeiras, buzinas e gritos. O local, rebatizado pelos manifestantes como "Plaza Dignidad", foi o epicentro das mobilizações populares que começaram em outubro de 2019, e que voltaram a acontecer há algumas semanas, depois de terem sido interrompidas em março por conta da pandemia da covid-19.

O episódio reacendeu as críticas às autoridades policiais, que têm sido fortemente questionadas por suas ações na repressão aos protestos desde o ano passado. Organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), Anistia Internacional (AI) e Human Rights Watch (HRW) acusaram os Carabineros de usar força excessiva e cometer graves violações aos direitos humanos nas marchas. 

Políticos de oposição denunciaram a ação e pedem a saída de Mario Rozas, diretor-geral dos Carabineros. "Eles o empurraram direto para o rio. Exigimos a renúncia de Mario Rozas agora. Sem mais desculpas e uma comissão civil para a reforma estrutural dos Carabineros. Essa barbárie não pode continuar", disse o deputado de oposição Gabriel Boric.

O Chile vive a mais grave crise social desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). A nova onda de manifestações começou como um protesto contra o aumento do preço da passagem do metrô e se transformou em uma revolta por um modelo mais econômico justo. Os motins deixaram mais de trinta mortos, milhares de feridos e detidos, além de episódios de extrema violência com incêndios, saques e destruição de móveis públicos./AFP e EFE

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