Jovens espancam padre contrário à autonomia de Santa Cruz

Quatro membros da União Juvenil Cruceñista atacam religioso de 54 anos com golpes e chutes

Ansa,

20 de maio de 2008 | 17h43

Um padre católico foi brutalmente espancado na sexta-feira, 16, em San Ignacio de Velasco - a 476 quilômetros de Santa Cruz - por quatro membros da União Juvenil Cruceñista, que o acusaram de ser contrário ao referendo autonômico, ocorrido no Departamento (Estado) de Santa Cruz em 4 de maio. Veja também:Autonomia de Santa Cruz é golpe, diz governo da Bolívia Os jovens acusaram o padre Adalid Vega, de cerca de 54 anos, de ter organizado movimentos sociais contrários à autonomia, e de ter incitado a queima de urnas que impossibilitou a realização do referendo no local. Nesta terça-feira, 20, a população de San Ignacio de Velasco censurou a violência publicamente, através da rádio Juan XXIII. Os responsáveis pela agressão, segundo a rádio Erbol, de La Paz, agiram na presença do cacique indígena da cidade, Justo Mercado. Depois de terem reconhecido o sacerdote em uma praça, agrediram-no verbalmente, quebraram o vidro de seu carro, e depois o violentaram a golpes e chutes, deixando-o no chão inconsciente. "Deixaram-no quase morto, largado no chão, e também destruíram a caminhonete do padre. O 'crime' do padre é que ele apóia a organização dos camponeses, especificamente na colônia San Martín, onde todas as pessoas são imigrantes do ocidente", disse Santos Retamoso, presidente do Comitê Político do MAS em San Martin, à Agência Boliviana de Noticias. "Acusavam-no de ser masista (apoiador do partido governista, MAS), de estar a favor do governo. Ele sofreu um golpe brutal, queriam amarrá-lo à caminhonete e arrastá-lo, e o ameaçaram para que não denunciasse", afirmou Retamoso. No domingo, do púlpito da igreja de San Ignacio, o monsenhor Carlos Estepe também condenou a agressão e pediu que as autoridades façam justiça. O monsenhor Stetter, bispo da diocese de San Ignacio, visitou o padre Adalid na colônia San Martín e pretende apresentar uma denúncia contra os dirigentes cívicos e contra Justo Mercado.

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