Jovens fazem críticas veladas à situação econômica em Cuba

Enviado especial do 'Estado' a Havana conversa com estudantes em universidade sobre mudanças pós-Fidel

Roberto Lameirinhas, enviado especial de O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2008 | 17h50

Em meio à rotina monótona do câmpus da Universidade de Havana - a mesma em que Fidel Castro formou-se advogado e serviu de berço para a Revolução Cubana -, sinais de descontentamento com o regime se manifestam discretamente. Em forma de críticas veladas à situação econômica, à falta de liberdade política e à pouca expectativa de mudanças significativas no regime.   Leia a reportagem na íntegra na edição desta sexta-feira, 22, de O Estado de S. Paulo. Veja Também:Ouça o relato do repórter   "Algo vai mudar a partir de domingo (quando a Assembléia Nacional se reúne para escolher o sucessor de Fidel e apresentar as diretivas do governo para os próximos anos)", diz Raquel, de 21 anos, estudante de sociologia. "Quando se chega a um ponto em que todos exigem que se adote um novo rumo, alguma coisa tem de ser feita. Esperamos medidas que aliviem a crise econômica, algum aumento de salário que garanta pelo menos a compra de alimentos. Essas mudanças são urgentes. Não podemos nos converter num Haiti."  Cerca de 70% dos cubanos nasceram depois da revolução de 1959. "As novas gerações não estão tão comprometidas com os ideais da revolução quanto estavam seus pais e avós", prosseguiu Dayse. "E esses jovens estão hoje conectados com jovens de outras partes do mundo, com os quais compartilham desejos e anseios, tanto de conhecimento quanto de consumo." Esses anseios causaram há três semanas uma rara manifestação de cobrança pública de um estudante a um dirigente do regime. Durante um encontro do presidente da Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón, com estudantes da Juventude Comunistas, na Escola de Ciências de Computação, na periferia de Havana, um jovem deixou o político constrangido ao questionar por que os cubanos não podiam deixar o país sem a autorização do governo. Alarcón saiu pela tangente. Dias depois, o jovem veio novamente a público para dizer que sua pergunta tinha sido mal-interpretada e veiculada "fora de contexto" pela mídia estrangeira.

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