Juiz derruba liminar que beneficiava Clarín na Argentina

Magistrado deu parecer favorável à constitucionalidade da Lei de Mídia, como queria o governo de Cristina Kirchner

Ariel Palacios, CORRESPONDENTE/ BUENOS AIRES

15 de dezembro de 2012 | 00h10

O juiz Horacio Alfonso deu nesta sexta-feira, 14, parecer favorável à constitucionalidade da Lei de Mídia, como queria o governo da presidente argentina, Cristina Kirchner. Assim, ele derrubou a liminar do Grupo Clarín que suspendia temporariamente a aplicação da legislação, que determinava o desmembramento da empresa.

Na sexta, o governo acenou com a possibilidade de criar “observatórios de mídia” para fiscalizar e analisar o conteúdo transmitido pelos canais de TV, rádios e jornais. As pistas sobre o novo plano foram dadas por Carlos Zannini, secretário legal e técnico da presidência, conhecido por ser o “cérebro” de Cristina e do ex-presidente Néstor Kirchner na área jurídica nas últimas duas décadas. 

Em reunião com militantes no centro cultural Haroldo Conti, Zannini destacou a necessidade da criação de um observatórios de mídia “para ver quais interesses os meios de comunicação representam”. Ele disse que os veículos “querem desprestigiar a política” e chamou as empresas de mídia de “testadores de governos”. “Tentam impor suas agendas a cada presidente e o castigam se não as cumprem.”

Cristina está guerra com empresas de comunicação, principalmente com o Grupo Clarín. Após a Justiça ter temporariamente suspendido a Lei de Mídia, na semana passada, o Judiciário também entrou na mira da Casa Rosada. Na quinta-feira, a presidente fez duras críticas aos juízes federais e ressaltou sua intenção de “democratizar” a Justiça. O presidente da corte, Ricardo Lorenzetti, reagiu. “Defendemos a liberdade dos cidadãos perante os poderes econômicos e do Estado.”

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