Juiz diz que fortuna de Pinochet pode ter vindo de armas

Família do ex-ditador chileno é acusada pela participação no desvio de verbas públicas

REUTERS

11 de outubro de 2007 | 10h58

Um juiz chileno que investiga as contas secretas controladas pelo ex-ditador Augusto Pinochet, morto em 2006, disse que parte dos fundos milionários pode ter vindo de negócios envolvendo armas, informou nesta quinta-feira, 11, o jornal La Tercera, do Chile. O juiz Carlos Cerda, que determinou na semana passada a prisão de familiares de Pinochet e a abertura de processo contra os acusados devido à suposta participação deles no desvio de verbas públicas, revelou suas suspeitas a respeito da origem da fortuna durante uma cerimônia de premiação ocorrida em Washington. No evento, em que o juiz recebeu uma homenagem devido a sua atuação em casos de violação dos direitos humanos, Cerda não conseguiu evitar referências ao processo sobre os supostos crimes financeiros cometidos por Pinochet. Segundo Cerda, trata-se de "uma investigação envolvendo uma quantidade de dinheiro que pode ter sido obtida em operações de compra de armas para o país". Pinochet morreu em dezembro do ano passado sem ter visto chegar ao fim os processos que enfrentava devido a acusações de desvio de verbas públicas. As acusações surgiram depois da descoberta de que o ex-ditador mantinha pelo menos 27 milhões de dólares em contas secretas no exterior. Na semana passada, Cerda determinou a prisão dos filhos e da mulher do general, além da prisão de um grupo de militares da reserva, devido ao suposto envolvimento deles no desvio de dinheiro público entre 1973 e 2003, em um valor total de 8,2 milhões de dólares. Esse montante teria sido enviado às contas administradas pelo ex-ditador. No sábado passado, a Quinta Câmara da Corte de Apelações do país libertou, sob fiança, a família Pinochet e seu círculo de ferro. A Justiça ainda avalia se acatará um pedido dos acusados para que seja anulado o processo iniciado por ordem de Cerda. Durante a ditadura de Pinochet, no poder entre 1973 e 1990, cerca de 3.000 pessoas foram mortas ou desapareceram. No mesmo período, outras 28 mil sofreram tortura, entre as quais a atual presidente do Chile, Michelle Bachelet.

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