Juiz manda prender familiares e colaboradores de Pinochet

Ordem de magistrado chileno atinge 23 parentes e colaboradores do ex-ditador, acusados de corrupção

Associated Press e Efe,

04 de outubro de 2007 | 12h39

A viúva e dois dos cinco filhos de Augusto Pinochet foram presos nesta quinta-feira, 4, acusados de corrupção no processo que investiga a origem da fortuna do ex-ditador chileno. Os familiares detidos e outros três filhos estão entre 23 colaboradores que tiveram prisão decretada por algumas das acusações que pesavam contra o homem que governou o Chile com mão de ferro por 17 anos.  Veja também:Entenda o escândalo que envolve a família  Jornal chileno detalha acusados (em espanhol) Segundo o juiz Carlos Cerda, as detenções foram ordenadas porque havia "sólidas indicações de que eles participaram do desvio de dinheiro público" durante o regime militar (1973-90). Cerda estava fora da investigação há um ano, devido a recursos apresentados pela defesa dos processados, mas voltou a trabalhar no processo em meados de setembro, depois que uma corte chilena revogou as apelações.  Assim como a viúva Lucia Hiriart e os dois filhos de Pinochet que já foram presos, vários outros suspeitos encontram-se sob custódia policial, confirmou o diretor da polícia de Santiago, Arturo Herrera. Pinochet morreu em dezembro do ano passado, aos 91 anos, quando estava sendo processado por fraude ao fisco e uso de passaportes falsos, no mesmo processo que levou às prisões desta quinta-feira. Os filhos de Pinochet são Augusto, Lucía, Verónica, Jacqueline e Marco Antonio. Todos já haviam aparecido envolvidos anteriormente na investigação do caso. O juiz Cerda deve decidir agora se mantém os suspeitos detidos ou se os solta para responder pelas acusações em liberdade.  Generais e amigos Entre os indiciados estão os generais reformados Guillermo Garín e Jorge Ballerino, ex-chefes da chamada "Casa Militar" - comitê de assessoria militar que Pinochet manteve nos últimos anos da ditadura. O general Hector Leteier e outros oficiais de menor patente também tiveram a prisão decretada.  Cerda indiciou ainda a ex-secretária pessoal de Pinochet Monica Ananias e o ex-advogado do general Ambrósio Rodriguez, que durante o regime ostentou o cargo de "procurador-geral da República". A investigação sobre a fortuna de Pinochet foi aberta em 2005, após a descoberta de contas secretas do general no Riggs Bank, dos Estados Unidos, e em outras entidades financeiras. Ao todo, o general tinha acumulado valores superiores a US$ 26 milhões. Ao morrer, em 10 de dezembro de 2006, Pinochet também era acusado de desvio de fundos públicos.

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