Juiz pede prisão de quase 100 no Chile por ligação com ditadura

Quase 100 ex-militares e agenteschilenos receberam ordem de prisão na segunda-feira, comoresultado da investigação sobre abusos cometidos durante aditadura de Augusto Pinochet, segundo fontes judiciais. O processo é relativo à "Operação Colombo", que ocorreu noinício da ditadura (1973-90) e levou à morte de 119 adversáriosdo regime. Alguns dos detidos trabalharam para a célebre Dina (agênciade inteligência), que mantinha centros de tortura por ondepassaram centenas de pessoas, sendo que muitas foram mortas. "É uma excelente notícia, porque a Operação Colombo tambémera um processo em que a imunidade do general Pinochet (mortoem 2006) foi suspensa, e devido ao número de vítimas é um casoemblemático", disse à Reuters Sergio Laurenti,diretor-executivo da Anistia Internacional no Chile. "Mas é importante que a polícia agora forneça asinformações necessárias para permitir que as cortes sigamadiante. Há uma falta de cooperação das forças armadas e dosserviços de segurança." Entre os envolvidos está o ex-diretor da Dina ManuelContreras, já preso por outros crimes. Para encobrir assassinatos, a polícia secreta de Pinochetcontou com a colaboração das agências de inteligência de Brasile Argentina no marco da "Operação Condor", uma ação coordenadaentre as ditaduras militares que governavam países na Américado Sul. "As investigações do ministro Montiglio são meticulosas.Logicamente elas atribuem grande parcela de responsabilidade aoaparelho estatal, que foi envolvido nesses crimes horrendos, epor essa razão vamos perseguir os responsáveis até o final",disse Boris Paredes, advogado do Ministério do Interior. Pinochet morreu sem ter sido punido pela morte de cerca de3.000 pessoas e pelo fato de 28 mil terem sido torturadas e 200mil terem se exilado. O Chile atualmente vem tentando punir responsáveis porcrimes da ditadura, já que uma lei de anistia, de 1978, nãobeneficia autores de abusos contra direitos humanos. Até agora,porém, pouco mais de 20 ex-militares e agentes foramcondenados, e até antes de segunda-feira 380 outros estavam sobinvestigação, e as prisões se limitavam a indivíduos isoladosou pequenos grupos. (Reportagem adicional de Erik Lopez e Bianca Frigiani)

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