Justiça absolve coronel acusado de tentar assassinar Rafael Correa

Militar dirigia hospital para onde Correa foi levado durante uma suposta tentativa de golpe de Estado

Efe,

14 de maio de 2011 | 01h47

QUITO - Um tribunal de Quito absolveu nesta sexta-feira os últimos quatro acusados pela sublevação policial de 30 de setembro do ano passado, incluindo o coronel César Carrión, que dirigia o hospital onde o presidente Rafael Correa esteve retido durante o que o governo do Equador interpretou como uma tentativa de golpe de Estado.

 

O coronel Carrión e os agentes Luis Martínez, Jaime Paucar e Luis Bahamonde foram declarados inocentes de todas as acusações, incluindo a de tentativa de assassinato.

 

Após uma audiência que durou mais de 12 horas, o juiz Hugo Sierra leu a sentença, que foi seguida pela comemoração de cerca de 50 amigos e parentes dos acusados.

 

O primeiro a ser absolvido foi Martínez, que era acusado de incitar os sublevados a matarem Correa através da radiofrequência interna da Polícia.

 

Paucar era acusado pelo governo de tentar tirar a máscara que protegia Correa do gás lacrimogêneo durante um enfrentamento entre os agentes e o corpo de segurança do líder equatoriano.

 

Bahamonde, por sua vez, foi absolvido de ter lançado uma bomba de gás lacrimogêneo que explodiu perto do presidente.

 

Carrión, que na época era diretor do hospital policial onde Correa ficou retido, foi acusado de negar-se a abrir a porta do centro médico, quando o líder tentava refugiar-se diante do assédio dos manifestantes. "Foi feita justiça", se limitou a dizer Carrión ao fim da audiência.

 

A decisão acontece horas depois de o novo ministro do Interior do Equador, José Serrano, ter acusado o juiz Sierra de parcialidade no caso.

 

"No caso de esse tribunal seguir essa linha de parcialidade e decidir a favor do coronel Carrión, nós imediatamente apelaremos da decisão, mas depois apresentaremos as ações penais contra o doutor Sierra", disse Serrano em entrevista coletiva no Palácio Presidencial pouco após assumir seu cargo.

 

Serrano acrescentou que o magistrado "está manipulando as audiências de maneira absolutamente obscura e não transparente".

 

Em 30 de setembro, centenas de policiais descontentes por disposições salariais na instituição realizaram um protesto que depois evoluiu para uma revolta, que incluiu a retenção do presidente Correa no hospital policial de Quito dirigido então por Carrión.

 

Carrión foi destituído de seu cargo e processado depois que o líder equatoriano o acusou de cumplicidade na sublevação. Um mês depois, o coronel concedeu declarações afirmando que o presidente não esteve sequestrado, como diz o governo. Em resposta, Correa o desafiou nesta sexta-feira a, independentemente do resultado do julgamento, se submeter ao teste do polígrafo.

 

Até agora ninguém foi condenado por participar da revolta, na qual morreram oito pessoas. Em abril, um juiz ordenou a liberdade de outro dos principais acusados pelo governo, Fidel Araujo, um major do Exército aposentado próximo do ex-presidente Lucio Gutiérrez, agora na oposição.

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