Justiça argentina condena ex-general a 25 anos de prisão

A Justiça argentina sentenciou a25 anos de prisão o general reformado da última ditaduraCristino Nicolaides, na primeira decisão contra militaresacusados de sequestrar e assassinar milhares de dissidentesapós a revogação de uma anistia. Nicolaides, ex-chefe do Exército e integrante da última dasquatro cúpulas militares que governou a Argentina entre 1976e1983, é o ex-militar de maior hierarquia a ser julgado econdenado desde da reabertura dos casos de violações aosdireitos humanos em 2003. O juiz encarregado resolveu "condenar CristinoNicolaides... à pena de 25 anos de prisão... por ser integrantede uma associação ilícita destinada a cometer delitos", segundoa leitura do julgamento. As três sentenças anteriores, desde que se retomaram osjulgamento por violações aos direitos humanos durante aditadura no país, foram para dois policiais e um padre, capelãoda polícia na província de Buenos Aires, todos condenados àprisão perpétua. O general reformado não esteve presente na sala na qual foilida o veredicto por motivos de saúde. O julgamento provou que os então militantes da guerrilha deesquerda Montoneros, Julio César Genoud, Verónica MaríaCabilla, Angel Carbajal, Lía Mariana Ercilia Guangiroli,Ricardo Marcos Zucker e Silvia Noemí Tolchinsky, foramsequestrados pelas forças de segurança. Os cinco primeiros continuam desaparecidos. Durante os sete anos que durou a ditadura no país, forammortas mais de 10 mil pessoas, segundo provado por uma comissãoformada após a volta da democracia em 1983 para investigar arepressão ilegal. As organizações de direitos humanos elevaram esse númeropara 30 mil pessoas. (Reportagem de Damián Wroclavsky)

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