Pablo Martinez/AP
Pablo Martinez/AP

Justiça da Argentina pede 'comedimento' a Kirchner

Presidente acusou oposição de recorrer a 'juízes alugados' para impedir uso de reservas para pagar dívidas

Efe,

09 de março de 2010 | 22h27

A Justiça da Argentina pediu nesta terça-feira, 8, 'comedimento' à presidente Cristina Kirchner, depois de a líder afirmar que a oposição "recorre a juízes que parecem alugados" para frear a intenção do governo de pagar dívidas com reservas monetárias.

 

Kirchner considerou a solicitação dos juízes supremos "pouco feliz", ao afirmar que a palavra 'comedimento' (mesura, em espanhol) é muito parecida com 'censura'".

 

Em um comunicado assinado por seis de seus sete juízes, a Corte Suprema, sem nomear diretamente a Fernandéz, pediu que "quem tem responsabilidade de Governo se expresse com comedimento e equilíbrio".

 

O máximo tribunal do país ressaltou que sempre promoveu o debate público "sobre as decisões dos juízes", mas afirmou que "o limite" das críticas "é a racionalidade e o respeito da independência judicial".

 

Horas antes, o ministro chefe da Corte, Carlos Fayt, que qualificou de "besteiras" as acusações de Kirchner, pediu "uma cota de inteligência para dominar o conflito" institucional iniciado em dezembro, quando o governo anunciou que recorreria a reservas do Banco Central para o pagamento de dívidas do Executivo.

 

Depois de inteirar-se do comunicado da Corte, a presidente o qualificou de "pouco feliz" e criticou a "pretensão de cortar a liberdade de expressão".

 

"O comunicado é pouco feliz. É como se eu me ofendesse porque hoje de manhã o juiz Fayt afirmou que eu dizia besteiras. Além do mais, há coisas do comunicado que não me parecem acertadas na boca de ninguém e muito menos de quem têm que garantir o exercício da liberdade de expressão", disse Kirchner a jornalistas.

 

Apesar do rechaço da oposição, que é maioria em ambas as câmaras parlamentares, a presidente disse que a Argentina pagará suas dívidas com reservas do Banco Central.

 

"Estou disposta a enfrentar a condenação de qualquer juiz, mas não a condenação da História, que seria condenar a Argentina, uma vez mais, ao endividamento, a não pagar", insistiu Kirchner.

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