David Fernández/Efe
David Fernández/Efe

Justiça libera rival de Chávez para disputar eleição na Venezuela

Leopoldo López havia sido proibido de fazer campanha por causa de acusações de corrupção

Reuters

16 Setembro 2011 | 18h55

CARACAS - Um líder oposicionista venezuelano foi autorizado na sexta-feira por um tribunal internacional a concorrer contra o presidente Hugo Chávez na eleição de 2012, numa decisão que deve esquentar o clima político no país, maior exportador de petróleo da América Latina.

O centrista Leopoldo López havia sido proibido pelas autoridades venezuelanas de fazer campanha por causa de acusações de corrupção, mas a Corte Interamericana de Direitos Humanos, com sede na Costa Rica, pronunciou-se a seu favor. "Conseguimos!," tuitou López. "Estou autorizado a concorrer. É um triunfo na nossa luta, pelos nossos direitos e pela justiça."

O tribunal integra a Organização dos Estados Americanos (OEA), e suas decisões supostamente têm caráter vinculante. Mas o governo da Venezuela já disse que a sentença obedeceu a motivações políticas, e as autoridades ainda poderão buscar novas formas de impedir o político de disputar a Presidência. "Vamos estudar a decisão," disse o chanceler Nicolás Maduro a jornalistas.

López, de 40 anos, ficou conhecido como prefeito do rico município de Chacao, que é parte de Caracas. Ele era considerado favorito para ser eleito prefeito de toda a capital em 2008, mas, assim como vários outros políticos, foi retirado da disputa por uma decisão da tesouraria do governo nacional.

Acusado de corrupção, ele não chegou a ser julgado, mas ainda assim teve os direitos políticos cassados até 2014. Ele diz que as acusações foram forjadas, e alegou que a cassação sem julgamento prévio era inconstitucional.

Maduro já havia declarado que caberá à Corte Suprema --que tende a se alinhar a Chávez-- uma decisão final sobre o caso, depois de avaliar a sentença do tribunal internacional de direitos humanos.

"Esses organismos internacionais se caracterizam por seu ativismo político anti-Venezuela," disse ele. "É uma burocracia politicamente vinculada à política externa dos EUA."

As pesquisas mostram que López é o candidato da oposição mais bem situado, à frente do governador estadual Henrique Capriles, que promete adotar um governo de "esquerda moderna" inspirado no Brasil.

A oposição pretende definir, numa eleição primária em fevereiro, um candidato único para concorrer contra o socialista Chávez na eleição de outubro de 2012.

Chávez, que governa a Venezuela desde 1999, sofre de câncer e atualmente faz quimioterapia, mas diz que estará recuperado a tempo de levar sua campanha às ruas no ano que vem.

Apesar de a Venezuela ter uma criminalidade desenfreada, escassez de investimentos privados e uma das maiores inflações do mundo, Chávez continua sendo o político mais importante do país, com níveis de aprovação em torno dos 50 por cento.

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