Justiça mantém prisão de governador oposicionista da Bolívia

Defesa alegava que Fernández foi detido ilegalmente; para tribunal, medida está de acordo com estado de sítio

Reuters,

18 de setembro de 2008 | 19h18

A Justiça boliviana rejeitou nesta quinta-feira, 18, colocar em liberdade o governador oposicionista do Departamento (Estado) de Pando, detido pela suspeita de ordenar um massacre de camponeses simpáticos ao governo socialista de Evo Morales. A defesa do político conservador Leopoldo Fernández havia entrado com pedido de habeas corpus, alegando que seu cliente foi detido de forma ilegal. No entanto, o tribunal entendeu que o procedimento estava de acordo com o estado de sítio em vigor na região.   Veja também: Estamos compromissados com o diálogo, diz governo Bolívia pode rachar, mas ninguém se beneficiaria, diz analista Bolívia tem histórico de golpes e crises  Entenda os protestos da oposição na Bolívia  Entenda o que é a Unasul  Enviada especial fala sobre trégua na Bolívia  Enviada do 'Estado' mostra fim dos bloqueios Imagens das manifestações  Também nesta quinta-feira, o governo e a oposição começaram um diálogo para conter a violência política na Bolívia. Fernández foi detido na terça-feira pelo Exército em Cobija, capital de Pando, na fronteira com o Acre. Ele é acusado de "genocídio" por ter supostamente contratado pistoleiros para uma emboscada contra uma comitiva de simpatizantes de Morales, que resultou em pelo menos 15 mortes. Depois do incidente, La Paz declarou estado de sítio em Pando. Dezenas de pessoas, a maioria indígenas leais a Morales, cercaram o tribunal no centro de La Paz gritando por justiça. "Leopoldo Fernández, queremos tua cabeça, o mundo te condena, cacique carniceiro", gritavam os manifestantes, que também agitavam bandeiras da Bolívia. Cercado por policiais, o governador pareceu abatido, e um promotor disse que ele tentou suicídio depois de ser preso, por temor de ser linchado ao desembarcar num aeroporto militar próximo à capital. "Ele ia se matar, pedia para que lhe dessem uma arma de fogo para que se matasse", disse o promotor Eduardo Morales. Fernández exigiu que o processo contra ele seja justo. "Acho que tenho direito como cidadão, já não como autoridade, de que as coisas se façam por onde se devem fazer", disse. Ele agora aguarda uma audiência em que o juiz decidirá pela prisão preventiva no processo, em que é acusado de homicídio por algumas famílias de vítimas e por genocídio pelo Ministério Público. O governador nega as acusações e atribui as mortes a um confronto entre grupos civis. Na terça-feira, a oposição ameaçou não participar da negociação com o governo por causa da prisão de Fernández. O governo disse, no entanto, que não negociaria a impunidade de crimes. A Bolívia vive semanas caóticas devido a protestos da oposição direitista contra a nova Constituição que Morales pretende aprovar. Em quatro dos nove departamentos (Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija) os manifestantes ocupam prédios públicos, estradas e instalações de extração e envio de gás.  

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