Justiça venezuelana indicia prefeito opositor por conspiração

Ministério Público acusa Antonio Ledezma de conspirar contra o governo e ordena que ele aguarde julgamento na prisão

O Estado de S. Paulo

20 de fevereiro de 2015 | 17h23

CARACAS - A Justiça da Venezuela indiciou na sexta-feira à noite o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, por conspirar contra o governo do presidente Nicolás Maduro e determinou que ele aguardará o julgamento na prisão militar de Ramo Verde.

O Ministério Público venezuelano disse na sexta-feira que Ledezma foi indiciado por conspiração e ficará detido na mesma prisão onde estão também o líder opositor Leopoldo López e o ex-prefeito de San Cristóbal, Daniel Ceballos.

De acordo com as leis venezuelanas "qualquer pessoa que, dentro ou fora do território nacional, conspire para destruir a forma política republicana que se deu à nação, será castigado com prisão de oito a 16 anos".

Maduro acusou Ledezma na quinta-feira, junto à deputada deposta María Corina Machado e ao opositor detido Leopoldo López, de planejar um golpe de Estado apoiado pelos Estados Unidos que ocorreria neste mês. O Departamento de Estado americano negou as acusações mais recentes. 

López foi preso por seu papel nos protestos que resultaram em quatro meses de violência e levaram à morte de 43 venezuelanos no começo de 2014.

O prefeito, de 59 anos, foi detido na quinta-feira, um ato denunciado por opositores como irregular, e levado ao serviço de inteligência, de onde será transportado para o gabinete de um juiz que assinou a ordem de prisão.

A promotoria disse em comunicado que a detenção ocorreu "por atualmente estar supostamente em andamento atos de conspiração para organizar e executar atos violentos contra o governo democraticamente constituído".

Desde que assumiu o poder depois da morte de Hugo Chávez, Maduro denunciou dezenas de tentativas frustradas contra ele, sem apresentar provas contundentes.

Opositores dizem que as múltiplas acusações de magnicídio e golpes de Estado fracassados têm o objetivo de desviar a atenção dos venezuelanos da escassez aguda, inflação e recessão econômica, no momento em que Maduro se prepara para eleições parlamentares.

O advogado Omar Estacio, defensor de Ledezma, disse à emissora Globovisión que conversou brevemente nesta madrugada com o político, junto à sua mulher e ele se mostrou "muito animado e otimista de poder demonstrar que não tem ligação com nenhum tipo de crime". / REUTERS

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