Kirchner diz que buscará verdade 'doa a quem doer'

Presidente faz declaração após a demissão de funcionário envolvido com venezuelano pego com US$ 800 mil

Agências internacionais,

09 de agosto de 2007 | 17h54

Em meio ao escândalo envolvendo um empresário venezuelano que tentou entrar na Argentina com US$ 800 mil acompanhado de funcionários do governo, o presidente Néstor Kirchner defendeu nesta quinta-feira, 9, a necessidade de se investigar todas as denúncias, "doa a quem doer".   Veja Também Dólares de venezuelano derrubam funcionário argentino   "Pela primeira vez na Argentina se combate a corrupção seriamente", disse ele em discurso durante uma solenidade de entrega de habitações no subúrbio de Buenos Aires. O mandatário reivindicou ainda a "busca da verdade permanente".   As declarações foram feitas horas após a demissão do assessor do Ministério do Planejamento Claudio Uberti. O funcionário do governo estava no mesmo jato fretado em que o venezuelano viajava e renunciou ao cargo na manhã desta quinta-feira, depois de ser pressionado pelo ministro do Planejamento, Julio De Vido, e pelo próprio Kirchner.   O escândalo se soma à renúncia, no mês passado, da ex-ministra da Economia Felisa Miceli, que se viu encurralada pela Justiça depois que um pacote com cerca de US$ 60 mil de origem duvidosa foi encontrado no banheiro do seu gabinete.   As suspeitas de corrupção vêm à tona a cerca de 80 dias das eleições presidenciais argentinas, e podem prejudicar a candidatura da candidata governista, Cristina Fernandez de Kirchner, mulher do presidente.   Em aparente alusão ao caso, Kirchner disse que "fazemos os controles em todas as áreas que temos que fazer". Também afirmou que perseguirá a verdade "doa a quem doer porque eu não ponho a mão no fogo por ninguém".   O presidente avisou que não vai esconder nenhuma informação da população e não deixará de tomar as medidas cabíveis. "Eu não tapo nada e quando algo acontece, o povo tem que saber e o governo tem que tomar as medidas como corresponde", destacou. "Eu tenho as mãos absolutamente limpas para que ninguém me condicione. Vocês têm um presidente que não está condicionado por ninguém", disse Kirchner.   O presidente não mencionou diretamente o caso do venezuelano Guido Alejandro Antonini Wilson que tentou entrar no país com a maleta, depois de ter viajado em um avião fretado pela estatal Enarsa em companhia de três funcionários públicos argentinos e outros quatro executivos da PDVSA.   Campanha   Segundo o diário argentino La Nación, Kirchner também dedicou algumas palavras para reforçar a campanha de sua esposa, Cristina Fernández, candidata do governo à sucessão presidencial. "Cristina vem aprofundar as mudanças na Argentina".   "As mulheres fazem as coisas melhor do que nós", continuou. Depois de afirmar que com "ela vamos estar muito melhor", o presidente pediu apoio à senadora nas eleições de outubro, "para que a Argentina siga mudando e não voltem os interesses de sempre".

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