Cezaro De Luca/Efe
Cezaro De Luca/Efe

Kirchner e Mujica anunciam que retomarão relações bilaterais após Haia

Argentina entrou com demanda na Corte Internacional contra instalação de papeleira na fronteira dos 2 países

28 de abril de 2010 | 20h43

Reuters

 

BUENOS AIRES- Os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Uruguai, José Mujica, se comprometeram nesta quarta-feira, 28, a reparar a prejudicada relação bilateral entre os dois países, afetada pela instalação de uma fábrica de celulose em um rio limítrofe.

 

A promessa, expressada ao término de uma reunião em Buenos Aires, foi feita após a determinação da Corte Internacional de Haia, na semana passada, de que o Uruguai não deve fechar a indústria, devido a falta de evidências de que a unidade está contaminando o rio Uruguai.

 

"Hoje estamos no começo de um processo de restabelecimento definitivo do que nunca devia haver deixado de ser a relação entre a República Argentina e a República Oriental do Uruguai", disse Kirchner em uma declaração conjunta com Mujica.

 

Os presidentes não falaram sobre as medidas que tomaram a respeito do bloqueio de uma ponte no local em que manifestantes da cidade argentina de Gualeguaychu, próxima à fábrica, protestam que a usina contamina o rio.

 

Os manifestantes ficaram furiosos com a decisão do tribunal e garantiram que manterão a ponte interditada, medida que causou fortes danos ao comércio dazona.

 

O tribunal, ao qual a Argentina acudiu para tentar que seu vizinho desinstalasse a fábrica da empresa filandesa Botnia, decidiu que Montevidéu violou um tratado bilateral ao não informar nem negociar com Buenos Aires sobre o avanço da instalação.

 

"Vamos respeitar a decisão de Haia (...) Este acatamento é um acatamento, filho do interesse mais profundo de nossas respectivas sociedades", disse Mujica.

 

A Argentina apresentou a demanda à Haia por causa de dois projetos de fábricas de celulosa, em da Botnia e outro que a espanhola Ence pretendia construir em um local próximo, mas desistiu.

 

A fábrica de papel, localizada a cerca de 310 km a oeste de Montevidéu, opera desde o ano passado sob o nome da empresa finlandesa UPM, que fez uma troca de sua participação acionária na Botnia por outros ativos.

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