Kirchner lidera ato para mostrar força do governo de Cristina

Ex-presidente convoca manifestação para respaldar a mulher, que tenta ratificar imposto agrícola no Congresso

Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo,

18 de junho de 2008 | 13h25

O ex-presidente Néstor Kirchner liderará na tarde desta quarta-feira, 18, uma manifestação para respaldar sua mulher, a presidente Cristina Kirchner. A ambição é concentrar mais de 150 mil pessoas na histórica Praça de Maio. Existe grande expectativa pela fala de Kirchner, para ver se assume uma posição conciliadora ou agressiva com o setor ruralista. Enquanto isso, as lideranças ruralistas realizam uma série de protestos "pacíficos e silenciosos" contra a política econômica do governo.   Nesta quarta eles também decidem se levantam - ou não - o locaute agrário. Tudo isto acontece um dia depois que Cristina anunciou o envio ao Parlamento, de um projeto de lei sobre os impostos aplicados às exportações agrícolas. Enquanto isso, os mercados continuam desconfiados sobre o eventual fim da crise Cristina versus ruralistas e o desabastecimento de alimentos e combustíveis continua afetando as principais cidades do país.   Com lágrimas e visivelmente contrariada, a presidente argentina, Cristina Kirchner, anunciou na noite de terça que resolveu buscar o endosso do Congresso para um polêmico aumento de impostos sobre exportações agrícolas. O aumento, que causou um locaute dos ruralistas, foi decretado pelo governo em março e continuará em vigor até que o Legislativo se pronuncie.   "Se o Parlamento a rechaçar, então a medida não será aplicada", disse o chefe de Gabinete, Alberto Fernández. O ministro coordenador disse que o Parlamento "terá a possibilidade de rechaçar uma medida do Poder Executivo, ao contrário do que diz a oposição". A proposta busca pôr fim ao conflito - instalado que desde 12 de março entre o governo e os produtores rurais, devido ao aumento das retenções -, já que transfere o debate ao Congresso, como pedem as câmeras patronais agropecuárias.   O novo locaute termina à meia-noite desta quarta, enquanto o partido peronista (governista), organizações sociais e de direitos humanos convocam uma mobilização em Buenos Aires, diante da sede do governo, em apoio à presidente. A central sindical CGT, a principal do país e historicamente identificada com o peronismo, decretou uma paralisação a partir das 12h de hoje para facilitar a mobilização. A mesma medida foi anunciada pelo sindicato dos bancários. A Central de Trabalhadores Argentinos (CTA), de centro-esquerda, também participará da mobilização.   A maioria dos governadores e prefeitos peronistas anunciou que participará da mobilização, ainda que outros, como o governante da província de Chubut (sul do país), Mario Das Neves, anunciaram que não participarão, por não concordarem com a convocatória. A mesma posição foi adotada pelo peronismo das províncias de Santa Fe e Córdoba, dois dos territórios onde o protesto das câmaras agropecuárias se fez mais forte.   Um dos sinais do debilitamento dos Kirchners é a fuga de aliados. Governadores com medo de ser contagiados pelo desgaste afastaram-se nos últimos dias do casal presidencial. Os analistas ressalvam que, se a crise com os ruralistas for superada, a perda de aliados poderá ser detida.   Enquanto isso, os partidos de oposição continuam desarticulados. O principal foco opositor está dentro do próprio peronismo e é liderado pelo ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003). Em 2003, Duhalde apadrinhou a candidatura presidencial de Néstor Kirchner, na época um desconhecido. Kirchner venceu graças ao aparato fornecido por Duhalde. Mas, ao tomar posse, desvencilhou-se do ex-padrinho e o isolou politicamente. Duhalde esperou meia década. Agora, prepara a revanche.   (Com Ansa)

Mais conteúdo sobre:
Argentinaruralistas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.