Kirchner pede a Cameron que detenha exploração petrolífera nas Malvinas

Presidente afirmou a primeiro-ministro que deseja retomar negociações sobre soberania das ilhas

estadão.com.br,

14 Maio 2010 | 18h17

BUENOS AIRES- A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu ao novo primeiro-ministro britânico, David Cameron, que detenha e exploração petrolíferas nas ilhas Malvinas, cuja soberania está sendo disputada, em uma carta divulgada nesta sexta-feira, 14, segundo a agência de notícias AFP.

 

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"Recentemente foram iniciadas ações de exploração de petróleo de maneira unilateral na área em disputa, o que foi rechaçado pelo meu governo, e espero que você tenha a possibilidade de deter essas ações em benefício de uma cooperação frutífera com o meu país", pediu Cristina.

 

A presidente enviou uma missiva a Cameron pela sua designação como premiê, para o desejar sucesso em sua gestão. Kirchner ratificou sua vontade de retomar as negociações sobre a soberania do arquipélago do Atlântico Sul.

 

A exploração petroleira, que começou no final de fevereiro nas imediações das ilhas, aumentou o clima de tensão entre Buenos Aires e Londres, logo após a empresa Rockhopper ter anunciado em 7 de maio o primeiro descobrimento de petróleo na bacia norte das Malvinas.

 

A companhia garantiu que se tratava de uma reserva de "alta qualidade", ressaltando em particular uma "excelente permeabilidade" e uma boa porosidade, o que fez disparar suas ações em Londres.

 

Kirchner destaca em sua carta que "a grave crise econômica e financeira que afetou o mundo em geral e a Europa em particular, coloca em evidência a importância de seguir construindo uma comunidade internacional capaz de encarar com visão renovada os problemas mais graves e urgentes".

 

"É justamente com esse mesmo espírito de colaboração que quero o expressar a vontade do governo argentino de retomar o demorado processo de negociação sobre a soberania" das ilhas", afirma.

 

A governante também recorda as reiteradas resoluções da ONU, as quais exortam ambos os países a começar as negociações. Imediatamente depois do começo das explorações, o governo argentino as rechaçou "energicamente" e anunciou que tomará medidas para impedi-las conforme o direito internacional.

 

Neste marco, a Argentina está controlando o trânsito marítimo entre o continente e as ilhas para sancionar todas as empresas que se envolvem, direta ou indiretamente, na atividade petrolífera no arquipélago.

 

O país sulamericano conta com o apoio da comunidade internacional e, em especial, dos países da América Latina e do Caribe, que previram apresentar o tema na Cúpula União Europeia-América Latina de Madri, na terça-feira.

 

O Reino Unido tomou as ilhas em 1833 e expulsou seus habitantes argentinos, que haviam declarado a independência há somente 17 anos.

 

A Argentina nunca deixou de reivindicar sua soberania e, em 1982, tropas do ditador Leopoldo Galtieri desembarcaram nas ilhas, gerando um conflito que terminou com a derrota argentina e um saldo de 255 baixas britânicas e 648 argentinas.

 

 

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