Kirchner pede explicações sobre dólares a Chávez

Governo argentino confirma que presidente cobrou seriedade nas investigações sobre mala de doláres ilegais

Marina Guimarães, da Agência Estado,

13 de agosto de 2007 | 12h22

O chefe de Gabinete da Presidência, similar ao Gabinete Civil, Alberto Fernández, confirmou nesta segunda-feira, 13, que o presidente Néstor Kirchner pediu ao colega Hugo Chávez um esclarecimento pelo escândalo da maleta de dólares sem declarar, que viajou de Caracas à Venezuela, há uma semana, em um avião alugado pela estatal argentina Enarsa. Segundo Fernández, Kirchner manifestou a Chávez "preocupação pelo que havia ocorrido", e lhe pediu que "o fato seja investigado na Venezuela como está sendo na Argentina". Kirchner também pediu explicações sobre "quem é Guido Antonini Wilson, de onde tirou o dinheiro, o que vinha fazer no país e por que subiu no avião da comitiva argentina".   Em entrevista às rádios portenhas, nesta manhã, Fernández tentou disfarçar o mal estar entre os dois governos. Ele destacou que as explicações solicitadas por Kirchner foram "no marco da boa relação que existe" entre a Venezuela e a Argentina. Também insistiu em que o assunto "tem que ser esclarecido pelos que pediram para este senhor (Guido Antonini Wilson) viajasse no avião". Antonini foi o portador da maleta com a qual tentou entrar no país sem declarar os US$ 790.550 mil, no último dia 4 de agosto, em companhia de três funcionários públicos argentinos e quatro executivos da PDVSA.   O governo argentino quer que os executivos do escritório da petrolífera estatal venezuelana em Buenos Aires sejam demitidos, como ocorreu com Claudio Uberti, o braço direito do ministro de Planejamento,Julio De Vido. Uberti era um dos passageiros do avião e foi quem, como argumenta o governo, permitiu que "um estranho" (Antonini Wilson) viajasse no vôo oficial. O outro funcionário público local, Exequiel Espinosa, presidente da Enarsa, foi ratificado no cargo, embora tenha sido o responsável pelo aluguel do jato e um dos passageiros do vôo da maleta. Fernández disse que Espinosa "não tem nada a ver com esse assunto porque à ele não pediram" para que Antonini Wilson subira ao avião. Nesta segunda, o juiz federal Jorge Ballestero, quem já investiga a denúncia pena apresentada pelo peronista Juan Ricardo Mussa sobre o assunto, deverá decidir se convoca o misterioso empresário venezuelano para prestar depoimento e os demais passageiros do avião.   Ninguém sabe sobre o paradeiro de Antonini Wilson. Diferentes versões da imprensa local afirmam que ele poderia estar em sua casa de Miami ou na Venezuela. Ballestero terá a tarefa de determinar as diligências para saber a origem e o destino do dinheiro. Várias hipóteses circulam entre a imprensa e a oposição sobre os dólares: poderia ser contrabando para um negócio pessoal, como a compra de um imóvel, como os advogados de Wilson argumentam, lavagem de dinheiro ou ainda contribuição ilegal do governo venezuelano para os piqueteiros (movimento social argentino com estreitos vínculos com o governo) ou até para a campanha eleitoral de Cristina Fernández, a primeira-dama candidata à Presidência.

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