Kirchner pede que lhe esqueçam, mas mantém influência

O ex-presidente Néstor Kirchnerpediu aos argentinos em dezembro, quando concluiu seu mandato,que o "esqueçam por um longo tempo", mas ele praticamente nãodeixou o cenário político. Em pouco mais de um mês, o "primeiro-marido" tornou-se umdefensor da presidente Cristina Kirchner, ajudando-a aresponder aos primeiros desafios, como um incidente diplomáticocom os EUA e tensões com sindicatos. Embora não tenha cargo no governo e não seja visto na CasaRosada, Kirchner é o principal assessor de Cristina, eanalistas dizem que, ao menos por enquanto, parece haver umaPresidência conjunta. "Kirchner está co-governando, todos sabemos isso", disse ocomentarista político Jorge Halperin. "Cristina é uma políticamuito capacitada, mas não tem uma base política. Ele tem." Alguns analistas acham que o ex-presidente acabaráassumindo a liderança do Partido Justicialista (peronista). Elepoderia ter disputado a reeleição, em dezembro, e é quasecerteza que teria sido eleito, graças a sua imensapopularidade. Mas afinal indicou a mulher, que era senadora. A campanha dela foi pregando a continuidade, especialmenteda política econômica que tirou a Argentina da recessão e abriuas portas para uma fase de rápido crescimento. A rara transição democrática entre cônjuges consolidou osKirchners como uma dinastia, mas gerou dúvidas sobre o papelque ele terá no governo dela. Dias depois da posse, Cristina enfrentou a primeira crisepolítica, com a prisão nos EUA de quatro homens acusados deenvolvimento na suposta doação clandestina de 800 mil dólaresdo governo da Venezuela à campanha eleitoral dela. Ela disseque a acusação é parte de uma "operação lixo". Kirchner, que mantinha uma relação fria com Washington emseu mandato, saiu em defesa da mulher. "O que estão fazendo emMiami é um ultraje. A Argentina não é uma colônia, precisam nosrespeitar", afirmou. O ex-presidente também interveio na crise entre a esposa eum poderoso sindicalista que ficou indignado com rumores de quenão teria apoio dela numa eleição e ameaçou retirar o apoio aogoverno. Em dezembro, a pedido da esposa, Kirchner também viajou àselva colombiana como parte da comitiva internacional quedeveria participar do resgate de reféns das Farc. A operação,organizada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aliado docasal Kirchner, acabou sendo adiada e realizada sem a presençada delegação internacional. Antes de deixar o cargo, Kirchner dizia que pretendia criaruma fundação política. Mas analistas prevêem que elepermanecerá envolvido nas políticas públicas. A imprensa dizque seu novo escritório fica a poucas quadras da Casa Rosada.

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