Kirchner tenta tirar barreiras do caminho da esposa recém-eleita

Néstor Kirchner parece decididotirar todas as pedras do caminho da esposa, Cristina, que osucederá na Presidência da Argentina em dezembro, resolvendoproblemas espinhosos como as dúvidas em torno dos níveis deinflação e a dívida com o Clube de Paris. A economia argentina terminará 2007 com o quinto anoseguido de crescimento econômico a taxas acima de 8 por cento,o que reaqueceu a demanda e os preços, além de criar anecessidade de novos investimentos para manter a indústria emmovimento. Cristina, eleita no domingo no primeiro turno, já disse queatrair investimentos será uma de suas prioridades, mas no casoda inflação negou que os dados estejam sendo manipulados pelogoverno, e afirmou esperar que um novo sistema de medição acabecom os questionamentos. Os níveis oficiais de inflação estão sob suspeita desdejaneiro, quando, diante da aceleração nos preços, o governo fezmudanças no instituto de estatísticas e começou a divulgarnúmeros abaixo dos esperados pelos analistas, e que a populaçãotambém sente estarem subestimados. Controlar os preços é essencial num país em que um quartoda população ainda vive na pobreza, e onde há forte tradiçãoinflacionária. Cristina apoiou a reformulação da medição de inflação,seguindo o modelo norte-americano, que elimina os setores maisvoláteis para determinar os níveis oficiais. Uma fonte dogoverno disse à Reuters que o novo sistema pode ser adotado jáem novembro. "Em dezembro será divulgada a primeira medição nova, juntocom a antiga", disse a fonte, que preferiu não se identificar. O governo pode adotar também medidas como a elevação dosimpostos sobre as exportações dos principais produtosagrícolas, para aumentar a receita fiscal, num momento em quecrescem as dúvidas sobre a solidez do superávit primário dopaís. O segundo obstáculo econômico que Kirchner quer tirar docaminho da mulher é a longa negociação com o Clube de Paris poruma dívida de 6,3 bilhões de dólares. Na semana que vem, aArgentina dará início a contatos para fazer a negociaçãoavançar, o que pode destravar investimentos de países ricos. O Clube de Paris exige, para renegociar a dívida, que aArgentina tenha um acordo com o FMI, mas Kirchner rejeita aintervenção do Fundo Monetário Internacional, que chama deresponsável pelos males sofridos pelo país nas últimas décadas. "A idéia é acelerar um pouquinho a negociação nas próximassemanas", disse a fonte. A Argentina confia na intervenção donovo diretor-gerente do FMI, o francês Dominique Strauss-Kahn,que prometeu ajudar o país a chegar a um acordo com o clube.

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