Lacalle denuncia 'intervenção de líderes estrangeiros'

Nos últimos dias, Chávez, Cristina Kirchner e Lula anunciaram apoio ao candidato governista Mujica

Ariel Palacios, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2009 | 08h43

O ex-presidente Luis Lacalle, candidato do Partido Nacional (Blanco) no segundo turno das eleições presidenciais de domingo no Uruguai, denunciou ontem o que chamou de a "intervenção" de chefes de Estado estrangeiros na política interna uruguaia. Nos últimos dias, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a presidente argentina, Cristina Kirchner, e o brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva - por intermédio do ex-governador e presidente do PT gaúcho Olívio Dutra -, anunciaram apoio ao candidato da governista Frente Ampla, o ex-guerrilheiro tupamaro José "Pepe" Mujica.

"Um presidente estrangeiro não pode andar dizendo por aí sua preferência na eleição uruguaia", disse Lacalle que, segundo as pesquisas, tem 42% das intenções de voto. Mujica tem 51%. Para Lacalle, "a independência do país está em jogo por causa das intromissões de líderes estrangeiros em assuntos internos do Uruguai".

Nesta semana, Olívio Dutra reuniu-se durante duas horas com Mujica, a quem disse que o presidente Lula "tem certeza de que, em um segundo governo da esquerda uruguaia comandada por Mujica, a relação entre nossos povos será mais produtiva e rica".

De forma simultânea, Chávez - que por intermédio da estatal petrolífera PDVSA realizou investimentos no Uruguai - enviou um "grande abraço para Pepe (Mujica), que será o próximo presidente do Uruguai".

Em Buenos Aires, o governo Kirchner deu folga aos funcionários públicos com nacionalidade uruguaia para que possam cruzar o Rio da Prata e votar em seu país de origem. Na Argentina, residem 500 mil uruguaios - a maioria simpatizante da Frente Ampla de Mujica.

Na reta final, Lacalle tenta ressaltar as incertezas provocadas pela personalidade ambígua do rival. Segundo ele, o Partido Nacional permitirá "previsibilidade", enquanto que o esquerdista Mujica provocaria um cenário no qual os próximos cinco anos seriam de "totais incertezas". Mujica rebate afirmando que seu governo seguirá a linha de moderação do atual presidente, Tabaré Vázquez.

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