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Lacalle, o conservador 'duro de matar'

Presidente entre 90 e 95, uruguaio volta à carreira política após denúncias de corrupção

Reuters,

22 de outubro de 2009 | 15h42

Pouco depois de deixar seu cargo como presidente do Uruguai na primeira metade da década de 90, o centro-direitista Luis Alberto Lacalle se viu atingido por acusações de corrupção contra membros de seu governo e até sua mulher, o que parecia marcar o final de sua carreira política. Mesmo assim, o advogado de 68 anos do conservador Partido Nacional, que gosta de se comparar com o personagem encarnado por Bruce Willis na série de cinema "Duro de Matar", conseguiu distanciar-se desses casos e é agora o principal concorrente para disputar o poder pela oposição à esquerda.

 

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Os uruguaios votarão no domingo, 25, nas eleições presidenciais e legislativas, cujas pesquisas apontam a liderança dos governistas da Frente Ampla, seguida pelo Partido Nacional, com o Partido Colorado em terceiro. Lacalle, que aplicou em sua gestão políticas liberais, propõe a derrogação de alguns impostos, um controle mais eficiente dos gastos públicos e uma melhora na segurança pública, o tema que mais foi questionado pelos partidos de oposição ao governo.

 

As pesquisas preveem um triunfo do candidato presidencial frentista, o ex-guerrilheiro Jose Mujica, mas sem a maioria absoluta necessária para sair vencedor no primeiro turno. Os números indicam um provável encontro entre Mujica e Lacalle no segundo turno em novembro. O candidato do Partido Nacionalista tem 31% das intenções de voto, contra 44% de Mujica.

 

Lacalle, neto do último grande caudilho do partido, Luis Alberto de Herrera, começou muito jovem sua carreira política ao lado do avô, com mandatos de deputado e senador, para chegar à presidência em 1990 com 48 anos. Pai de três filhos, um dos quais atualmente é deputado, continuou à frente de um dos principais setores do seu partido, o Herrerismo, mesmo ao término do mandato, em 1995.

 

"A minha vida política não vai terminar nunca", disse em uma entrevista recente com o diário local El Observador. Como fez anteriormente, Lacalle tenta voltar ao governo. Em 2004, perdeu as eleições primárias do partido para seu atual vice, Jorge Larranaga, posteriormente derrotado pelo atual líder do governo, o socialista Tabaré Vazquez. Ainda assim, ficou em terceiro lugar nas eleições de 1999.

 

O governo de Lacalle "foi um governo de um êxito relativo, porque as condições internacionais eram favoráveis. Terminada sua presidência, surgiram denúncias de corrupção que deixaram um rastro de suspeita muito grande. Isso o acompanhou e o desprestigiou", diz o analista Juan Carlos Doyenart. "Muitos pensaram que era um candidato que não voltaria, que havia perdido todo o seu potencial, mas ainda assim ressurgiu como a Ave Fénix voltas das cinzas", completou.

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