Lago argentino pode ter pistas sobre vida em Marte

Um lago no árido noroeste da Argentina pode conter pistas de como a vida começou na Terra e como poderia ter sobrevivido em outros planetas, segundo os cientistas.

KYLIE STOTT, REUTERS

11 de agosto de 2010 | 20h28

Pesquisadores descobriram milhões de "superbactérias" proliferando apesar da escassez de oxigênio do lago Diamante, que fica no centro de uma enorme cratera vulcânica, 4.700 metros acima do nível do mar.

O habitat dessas bactérias é semelhante ao ambiente primitivo da Terra, muito alcalino, com altos níveis de arsênico.

"Isso é de grande interesse científico, como uma janela para olhar o nosso passado e também uma ciência chamada astrobiologia, o estudo da vida em outros planetas", disse Maria Eugenia Farias, parte da equipe que descobriu vida neste ano no lago Diamante.

Teoricamente, se bactérias são capazes de sobreviver aqui, seriam capazes de sobreviver também em Marte.

As chamadas "extremófilas" já foram achadas em outras partes do mundo, e podem ter um valor comercial significativo. Bactérias que dissolvem lipídios, por exemplo, são usadas em detergentes.

Mas Farias disse que essas bactérias, chamadas de "poliextremófilas", são excepcionais porque florescem nas mais difíceis circunstâncias. "O que temos aqui é uma série de condições extremas todas em um só lugar. E isso é o que torna este lugar único no mundo", disse Farias, microbióloga do Conselho Nacional de Pesquisa Tecno-Científica na província de Tucumán.

A água do lago tem níveis de arsênico 20 mil vezes superiores ao que é considerado seguro na água potável, e a temperatura várias vezes fica abaixo de zero. Mas, como a água é salgada demais - tem cinco vezes mais sal que o mar - o gelo nunca se forma.

O DNA da bactéria sofre mutações para que ela sobreviva à radiação ultravioleta ao baixo nível de oxigênio nesta altitude, o que pode despertar o interesse do setor farmacêutico, segundo Farias. Protetores solares são outra possível aplicação comercial, segundo ela.

A cientista e sua equipe estão buscando verbas argentinas para produzir um metagenoma das bactérias - um estudo avançado, com o sequenciamento do DNA de toda a colônia de micróbios.

Dessa forma, disse ela, o país poderia manter patentes potencialmente lucrativas para os novos antioxidantes e enzimas que possam derivar da bactéria.

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