Latino-americanos temem aumento da corrupção nos próximos anos

Os latino-americanos prevêem umaumento da corrupção nos próximos três anos e acham que asmedidas governamentais contra o problema são ineficazes,segundo pesquisa divulgada na quinta-feira pela entidadeinternacional Transparência Internacional (TI). Foram ouvidas 60 mil pessoas em 60 países e territórios,sendo nove deles na América Latina (Argentina, Bolívia,Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, Panamá,Peru e Venezuela). O chamado Barômetro Global da Corrupção 2007 mostra que 52por cento dos entrevistados entre junho e setembro na regiãoconsideram que haverá mais corrupção nos seus países até 2010. A América Latina ficou na média das respostas mundiais,segundo o relatório divulgado em Berlim, onde fica a sede daTI, e publicado também no site www.transparency.org. "Mais de metade dos cidadãos entrevistados no mundo todoacha que o nível de corrupção vai aumentar durante os próximostrês anos. Só um em cada cinco entrevistados tem expectativasde que o nível de corrupção diminua no futuro próximo, enquantoum em cada quatro espera que se mantenha", acrescentou o texto,referindo-se aos dados globais. Os mais pessimistas são os guatemaltecos (66 por centoprevêem aumento da corrupção) e panamenhos (65 por cento pensamassim), seguidos por Equador (53), Colômbia (52) e Argentina(51). Na Bolívia, no Peru e na Venezuela, entre 40 e 45 por centodos entrevistados prevêem mais corrupção nos próximos trêsanos. A exemplo do que ocorre no resto do mundo, os partidos, osCongressos e as polícias são as instituições latino-americanasmenos confiáveis para os habitantes. Além disso, segundo o estudo, "a corrupção de pequenaescala é um problema grave no âmbito da Justiça nos países daAmérica Latina", embora tenha diminuído o percentual deentrevistados que declaram ter pagado subornos para serviçospúblicos. Para 54 por cento dos entrevistados na região, a luta dosgovernos contra a corrupção é ineficaz --cifra que chega a 73por cento na Argentina. Dos nove países, só na Colômbia, no Equador e na Venezuelahá mais otimismo que pessimismo com a atuação dos governos(aprovação de respectivamente 49, 47 e 38 por cento,respectivamente). "É urgente que as medidas adotadas contra a corrupção geremresultados concretos, que tenham um impacto real na vida daspessoas e que dêem passagem a um futuro onde a corrupção nãoarrebate oportunidades nem esperanças", disse a TI. (Por Patricia Avila)

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