Liberação de reféns das Farc é adiada por mais um dia

Os três reféns das Farc deverãopassar mais uma noite na selva colombiana, mas autoridades daVenezuela, que coordenam a operação de resgate, afirmam queestão em permanente contato com os rebeldes. As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)prometeram há mais de uma semana a liberação de duas políticase de um menino que nasceu em cativeiro, mas o local dalibertação ainda não foi divulgado. "O tempo não nos permite iniciar a operação e conclui-lahoje (domingo) mesmo", afirmou um funcionário do governocolombiano que está em Villavicencio, cidade que é base daoperação, onde helicópteros aguardam para buscar os reféns. A guerrilha marxista está negociando a liberação dos refénscom o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que expressoupreocupações de que a operação poderia fracassar, se ela nãofor realizada em breve. "Se isso se arrastar por três ou quatro ou cinco dias, porrazões de segurança, pode fracassar, e nós teremos que pensarem mais alguma coisa", disse Chávez, no sábado à noite. Outros envolvidos na operação afirmam que ainda há tempopara as Farc dizerem onde estão os reféns (a deputada ConsueloGonzález, a assessora política Clara Rojas e seu filhoEmmanuel, que deve ter 4 anos de idade). As Farc utilizam sequestros como arma de guerrilha, e têmcombatido o Estado colombiano desde a década de 1960. O governo da Colômbia vê com cautela o sonho de Chávez deunir a América do Sul por meio do socialismo, mas deixouhelicópteros com a bandeira da Cruz Vermelha cruzarem oterritório colombiano para resgatar os reféns. A Colômbia anunciou que dará aos venezuelanos o temponecessário para a realização da missão. CONSTANTE CONTATO O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela afirmouno domingo que o governo está em constante comunicação com osguerrilheiros, mas não detalhou o que está prejudicando oandamento da operação. O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, admitiu que aliberação dos reféns poderia demorar mais. Ele disse ainda quetem mantido contato "permanente" com as Farc. "Vocês sabem que estes processos não são fáceis e podemdemorar mais alguns dias, e nós estamos preparados para isso oupara mais", disse a jornalistas. Já o alto funcionário para a paz da Colômbia, Luis CarlosRestrepo, disse a jornalistas em Villavicencio que, da parte deseu governo, está tudo pronto para o início das operações. Elereiterou que todas as garantias estão dadas. A operação organizada pela Venezuela começou nasexta-feira, com o envio à Colômbia de helicópteros. No sábado,chegaram aviões transportando observadores internacionais quereceberiam os reféns. Os observadores, que deverão conduzir os reféns até aVenezuela depois da libertação, passaram a noite de sábado naquente e úmida cidade de Villavicencio. A missão é liderada pelo ex-presidente da Argentina NestorKirchner e conta ainda com delegados dos governos da Bolívia,Brasil, Cuba, Equador, França e Suíça. Apesar de a Colômbia ter estabelecido inicialmente uma horalimite para a realização da operação --18h59 (horário local)--,Restrepo assegurou que o prazo pode ser ampliado e afirmou queé importante que a missão humanitária tenha êxito. "Não vamos colocar nenhum prazo para a missão." (Com reportagem adicional de Hugh Bronstein em Bogotá;Fabian Andrés Cambero e Ana Isabel Martínez, em Caracas)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.