Javier Galeano/AP
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Liberdade provisória de americanos detidos no Haiti é negada

Dez missionários retornaram à prisão sem falar com jornalistas após passarem 12 horas no tribunal

Associated Press,

05 de fevereiro de 2010 | 22h38

A justiça haitiana rechaçou nesta sexta-feira, 5, um pedido de liberdade provisória para os dez missionários norte-americanos presos sob a acusação de sequestrar crianças ilegalmente do país.

 

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Depois de terem seu pedido de liberdade negado por um juiz haitiano, os americanos retornaram a prisão sem falar com jornalistas, depois de terem passado 12 horas no tribunal. Segundo o advogado do grupo, Edwin Coq, o juiz os disse para não discutirem o caso.

 

O juiz marcou mais três dias de depoimentos na próxima semana, começando na segunda-feira, de acordo com o advogado de defesa do grupo. Oficiais haitianos na corte se recusaram a responder às perguntas dos jornalistas.

 

O advogado disse que ao menos nove dos dez americanos - todos menos a líder do grupo, Laura Sislby - claramente não sabiam estavam sem os documentos para retirar as 33 crianças do Haiti, e deveriam ser imediatamente liberados. "Eles vieram ao Haiti para ajudar. Eles vieram em solidariedade", disse. "É escandaloso que eles estejam sendo detidos".

 

Antes dos depoimentos, Coq afirmou à repórteres que iria fazer um pedido de liberdade provisória para os americanos ao juiz.

 

Um juiz de investigação acusou os americanos nesta quinta-feira de sequestro pela tentativa de levarem 33 crianças à República Dominicana em 29 de janeiro sem a devida documentação.

 

Coq disse que Silsby sabia que não poderia levar os jovens sem os papéis necessários, mas deu a entender que os outros nove missionários não entenderam o que fizeram. O grupo batista, em sua maioria membros de duas igrejas em Idaho, insistiram em que estavam resgatando crianças abandonadas e órfãs depois do terremoto de 12 de janeiro.

 

Mas ao menos 22 das crianças, com idades entre 2 e 12 anos, têm pais. Alguns dos pais disseram à Associated Press que deram as crianças de boa vontade aos missionários porque eles prometeram à elas uma vida melhor.

 

Cada um dos americanos é acusado por sequestro, cuja sentença pode atingir de cinco a 15 anos na prisão, e por associação criminosa, com pena de três a nove anos. Coq disse que o caso foi atribuído a um juiz e que o veredicto pode levar três meses.

 

"Obviamente, este é um caso para o sistema judicial haitiano", disse mais cedo a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

 

Seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, agora um enviado especial da ONU para o Haiti, se encontrou nesta sexta com o presidente René Préval na capital do país, mas afirmou que sua visita não tem nada a ver com o caso dos americanos detidos. Ele disse que Washington estava monitorando o caso.

 

Carta

 

Três líderes nacionais da Convenção Batista do Sul mandaram uma carta nesta sexta ao presidente Barack Obama o exortando a "fazer tudo a alcance de sua autoridade para garantirem um retorno seguro (dos americanos ao país)".

 

Os líderes acrescentaram que não podiam falar com autoridade sobre os motivos e ações dos detidos, afirmando que eles foram ao Haiti por si próprios e não faziam parte dos esforços de ajuda da Convenção Batista do Sul.

 

Silsby - que queria criar um orfanato para crianças haitianas na vizinha República Dominicana - e os outros nove missionários viajaram ao Haiti após o terremoto para recrutar crianças para o seu projeto.

 

A maioria das crianças vinha da vila de Callebas, onde moradores afirmaram que os pais deram as crianças porque não podiam alimentá-las nem vesti-las. Sua história contradiz a afirmação de Silsby de que todos os menores vieram de um orfanato destruído ou foram entregues por parentes distantes.

 

Silsby também disse que acreditava que tinha todos os documentos necessários para atravessar a fronteira com as crianças. O cônsul dominicano no Haiti, no entanto, disse que avisou a missionária de que sua missão seria considerada tráfico de crianças se ela ignorasse os papéis de adoção necessários, que teriam de estar assinados por oficiais haitianos.

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