Libertação de Ingrid traria status de herói a Sarkozy

Crescente baixa na popularidade do presidente francês poderia justificar a preocupação no resgate da refém

Associated Press,

04 de abril de 2008 | 18h23

Alguns reféns franceses morreram no cativeiro, ou em total anonimato. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, porém, não quer o que mesmo aconteça a ex-candidata à Presidência colombiana Ingrid Betancourt. Se a missão francesa de resgate à Ingrid, refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) há seis anos, cumprir seu objetivo, Sarkozy terá o status de herói. Se falhar, a vitória será dos rebeldes que, segundo o líder francês, têm sangue nas mãos.   Veja também:  Filho de Ingrid pede que a mãe resista e que as Farc a libertem Guerrilha só libertará se houver troca de presos Conheça a trajetória de Ingrid Betancourt  Por dentro das Farc  Entenda a crise  Histórico dos conflitos armados na região       Ingrid tem uma próxima ligação com a França. "Ela é parte da boa sociedade parisiense... uma pobre mulher na selva com homens maus", disse Philippe Moreau-Defarges, do Instituo das Relações Internacionais da França, explicando o clamor pela libertação da refém. Mas o impeto da missão de resgate à franco-colombiana não é somente a imagem de Sarkozy. Os filhos de Ingrid vivem em Paris, assim como sua irmã, casada com um ex-embaixador francês na Colômbia, Daniel Parfait. O ex-marido da refém, Fabrice Delloye, é um ex-diplomata e o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin foi seu professor.   No início, o caso de Ingrid teve tratamento prioritário. Sarkozy herdou a situação de seu predecessor, Jacques Chirac, mas transformou o caso em um negócio público. Depois do presidente francês conduzir a libertação de médicos da Bulgária presos por anos na Líbia, ele colocou o seqüestro de Ingrid como seu próximo alvo. Na quinta-feira, 3, Paris mandou uma missão, incluindo dois médicos, apoiada pela Espanha e Suíça, na esperança de fazer contato com os rebeldes da guerrilha e levar tratamento médico a ex-parlamentar. A equipe ainda busca, como último objetivo, a libertação da refém.   Sarkozy disse estar preparado para viajar à região da selva colombiana onde acredita-se que a Ingrid está sendo mantida pelas Farc. "O risco da aparição é ridículo", comenta Moreau-Defarges. A imprensa colombiana já questiona o bom senso da rápida missão. A crescente queda de popularidade do presidente na França, no entanto, leva Sarkozy adiante com a missão de resgate, "para poder dizer 'eu sou um herói' se a idéia funcionar", avalia Moreau-Defarges.   "O caso de Ingrid se tornou público, e a França a considera um ídolo", comenta o jornalista Jacques Thomet, autor do livro Ingrid Betancourt: Tales of the Heart or the State?. "Com toda essa pressão internacional, nós sabemos que as Farc não permitirão que nada irreparável aconteça a Ingrid', declarou sua irmã, Astrid, nesta sexta-feira, 4. "Não podemos fazer tudo, mas saudamos esse gesto da França", acrescentou. A França já ajudou na libertação de outros reféns importantes em outras ocasiões, incluindo o jornalista Florence Aubenas, seqüestrado no Iraque por 157 dias e resgatado em 2005.  

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