Libertação de presos políticos em Cuba não é suficiente, dizem EUA

Segundo Departamento de Estado, medida não fará país normalizar suas relações com a ilha

AP,

08 de setembro de 2010 | 21h30

WASHINGTON- Os Estados Unidos celebram a libertação de presos políticos em Cuba, mas não a considera suficiente para normalizar suas relações com a ilha, afirmou nesta quarta-feira, 8, um alto funcionário do Departamento de Estado.

 

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"Celebramos a libertação de presos políticos. Pensamos que é um ato muito positivo. Mas essas medidas não são suficientes. Esse não é o tipo de liberalização que permitirá os Estados Unidos a normalizar sua relação com Cuba", disse o subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela.

 

EUA e Cuba não têm relações diplomáticas desde a década de 60, quando Washington ampliou sanções comerciais contra a ilha.

 

"Há uma mudança ocorrendo em Cuba, todos nós sabemos. Em parte pressionados pela difícil situação econômica que Cuba enfrenta hoje. O país tem várias decisões a fazer, e é muito difícil", acrescentou Valenzuela, que qualificou como "sem precedentes" a intervenção da Igreja Católica para conseguir as libertações de dissidentes.

 

O governo de Cuba anunciou no início de julho que libertaria 52 presos políticos em um prazo máximo de quatro meses como resultado do processo de diálogo aberto com a Igreja Católica cubana e apoiado pela Espanha.

 

Os dissidentes presos são os remanescentes dos 75 presos na onda repressiva da Primavera Negra de 2003. Eles cumpriam até 28 anos de prisão. Já foram libertados 28 presos deste grupo. Todos embarcaram para a Espanha com suas famílias.

 

A Comissão Cubana de Direitos Humanos, um órgão independente, mas tolerado pelo regime, disse que após a libertação dos 52 dissidentes ainda restarão cerca de 100 presos políticos na ilha. A cifra, no entanto, é contestada por outros órgãos, como a Anistia Internacional, segundo a qual só restará em Cuba um "preso de consciência."

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