Libertado Sigifredo López, último refém político das Farc

Soltura de ex-deputado, cativo havia quase sete anos, encerra série de libertações unilaterais da guerrilha

da Redação, com agências internacionais,

05 de fevereiro de 2009 | 15h39

Depois de quase sete anos de cativeiro, o ex-deputado colombiano Sigifredo López foi libertado nesta quinta-feira, 5, pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e entregue a uma missão humanitária com apoio brasileiro, informou a Cruz Vermelha. Segundo Yves Heller, porta-voz da entidade, o ex-deputado foi entregue a representantes da missão humanitária no departamento (Estado) Valle del Cauca, no sul da Colômbia, e seguiu para a cidade de Cali, capital da província.   López, de 45 anos, havia sido capturado junto com outros 11 de seus colegas deputados da Assembleia Legislativa de Cauca. Ele foi o único deles a sobreviver a um confuso incidente armado, no qual os outros deputados morreram baleados em junho de 2007. Após a libertação, em suas primeiras declarações López culpou a guerrilha pela morte dos colegas.   Veja também: Itamaraty parabeniza Colômbia por sucesso no resgate Após libertações, Uribe diz que não se deixará enganar por Farc Alan Jara acusa Uribe de não fazer nada por reféns das Farc Cronologia dos sequestrados das Farc Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região   Jornalistas analisam participação do Brasil    A soltura do ex-deputado acontece após a entrega de três policiais, um soldado e do ex-governador do Departamento de Meta Alan Jara, soltos pelas Farc entre domingo e terça-feira. A aeronave, com o emblema do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), saiu da capital do Departamento de Del Valle rumo à densa selva colombiana para receber López, na última etapa da série de solturas unilaterais da guerrilha.   O político fazia parte de um grupo de reféns que as Farc tentam trocar por 500 rebeldes presos. O Brasil, a pedido da entidade humanitária, forneceu helicópteros Cougar, de fabricação francesa, para a operação. O porta-voz da Cruz vermelha agradeceu a participação do País e disse que o órgão "continuará trabalhando para levar proteção e assistência às vítimas."   Logo após descer do helicóptero em Cali, López começou a chorar e, imediatamente, foi abraçar os filhos e a esposa, Patricia Nieto. Vestindo uma camiseta azul, boné e um crucifixo de madeira pendurado no pescoço, o ex-parlamentar retornou à liberdade. "Liberdade, liberdade" foram os primeiros gritos ouvidos da multidão que recebeu López, que foi acolhido com um buquê de rosas vermelhas e brancas.    López, advogado casado e pai de dois filhos, foi sequestrado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em abril de 2002, quando um grupo de rebeldes vestidos de policiais e militares invadiu a Assembleia e sequestrou 12 deputados no centro de Cali. A entrega de López faz parte da primeira libertação unilateral de reféns em poder da guerrilha desde fevereiro de 2008, quando uma missão humanitária liderada pela Venezuela recuperou quatro políticos.   As Forças Militares e a polícia suspenderam as operações na região do sudoeste do país, onde ocorreu a entrega. É uma ampla zona de selva com alta presença das Farc e cenário de intensas operações oficiais contra a guerrilha e o narcotráfico.   Com as libertações desta semana, as Farc buscam ganhar espaço político e melhorar sua imagem internacionalmente, depois dos duros golpes sofridos com a morte de dirigentes, deserções e o resgate de Ingrid Betancourt, segundo analistas.   Segundo a imprensa colombiana, López estudou direito na Universidad Santiago de Cali, onde se especializou na área penal. Seu primeiro cargo público foi inspetor de polícia de Pradera, aos 22 anos. Ele foi ainda Secretário de Obras Públicas do Departamento, além de prefeito entre 1992 e 1994. Seu maior posto político foi a Assembleia do Valle del Cauca.   (Matéria atualizada às 19h20)

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