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Líder da oposição a Chávez será julgado em Caracas

Presidente venezuelano pediu prisão de Manuel Rosales, acusado de corrupção; opositor alega perseguição

Agência Estado e Associated Press,

24 de março de 2009 | 17h47

O julgamento do mais importante líder da oposição na Venezuela, o prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, será feito na capital do país, Caracas, e não na cidade que ele governa - a segunda maior da Venezuela. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 24, pela Suprema Corte da Venezuela, que afirmou ter tomado a decisão para "resguardar a segurança" de todos. Rosales é acusado de corrupção.

 

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A corte disse na segunda que concordou com um pedido da promotoria para mover o processo de Maracaibo a Caracas para garantir "a segurança de todas as partes envolvidas" e porque é um caso sério que provocou um "escândalo público". Manuel Rosales, que desde as eleições presidenciais é o maior opositor ao presidente Hugo Chávez, foi acusado de enriquecimento ilícito. Ele afirma que é inocente e acusa os promotores de praticarem "um linchamento político ordenado por Chávez."

 

O presidente disse no ano passado que faria "de Manuel Rosales um preso", embora agora negue que tenha influência sobre o processo atual. Rosales, prefeito de Maracaibo, disse na segunda-feira, enquanto deixava um tribunal na cidade, que mover o julgamento para Caracas é um "plano político" que viola os seus direitos. Ele também disse suspeitar que exista um esforço para "buscar um juiz que seja obediente" ao presidente.

 

Quatro juízes no Estado de Zulia, do qual Maracaibo é a capital, foram suspensos das suas funções pela Suprema Corte após se encontrarem com Rosales. O parlamentar Calixto Ortega, pró-chavista, disse nesta terça-feira à emissora de televisão estatal que os encontros precisam ser totalmente investigados e alegou que um dos juízes estaria em posição de influenciar o julgamento, se o processo tivesse ficado em Zulia.

 

A promotoria afirma que Rosales fracassou em mostrar a fonte de US$ 68 mil em rendimentos durante vários anos, enquanto ele governava o Estado de Zulia. Rosales afirma ter declarado o dinheiro ao fisco e que os recursos foram obtidos com seu trabalho no agronegócio. "Não existe um caso de corrupção aqui", disse Rosales aos repórteres no domingo. "Este é um julgamento político", afirmou.

 

Uma promotora pediu a prisão de Rosales, mas os tribunais ainda precisam decidir a questão. Ainda não está claro quando o julgamento começará. A juíza Blanca Rosa Marmol, da Suprema Corte, disse à Rádio Unión da Venezuela que ela votou contra a suspensão dos quatro magistrados em Zulia, porque ela acredita que a medida tenha como objetivo "intimidar os juízes". Com algumas exceções, ela disse, "nós praticamente não temos mais magistrados independentes" na Venezuela.

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