Líder das Farc é morto em ação militar

Colombianos comemoraram neste sábado a morte do líder máximo das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Alfonso Cano, e esperam que este golpe na insurgência mais longa da América Latina possa anunciar o fim de quase cinco décadas de guerra.

LUIS JAIME ACOSTA E JACK KIMBALL, REUTERS

05 de novembro de 2011 | 11h44

Em um triunfo do governo do presidente Juan Manuel Santos, forças armadas bombardearam na sexta-feira um esconderijo das Farc na selva, na região de Cauca, sudoeste do país, matando vários rebeldes, disse o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón.

Depois do bombardeio, tropas desceram de helicópteros para vasculhar a área, matando Cano em um tiroteio pouco depois. Imagens do cadáver, com a barba raspada, foram transmitidas pela televisão.

A morte do ex-ativista estudantil, que tinha uma recompensa de 3,7 milhões de dólares pela sua cabeça, não deve se transformar em um fim rápido para uma guerra que matou dezenas de milhares de pessoas na nação. Contudo, ela vai danificar ainda mais a habilidade dos rebeldes de coordenar a explosão de bombas, emboscadas e seqüestros que deram notoriedade mundial às Farc.

"É o golpe mais devastador que esse grupo sofreu em toda a sua história," afirmou Juan Manuel Santos em um rápido pronunciamento na televisão. "Quero mandar uma mensagem a cada membro dessa organização: 'desmobilizem-se', ou então vão terminar em uma prisão ou em um túmulo. Vamos alcançar a paz."

Em uma estrada nos subúrbios de Bogotá, pessoas foram às ruas para dançar e gritar "Cano está morto!." Mesmo antes da morte, as Farc foram enfraquecidas por uma campanha militar apoiada pelos Estados Unidos que começou em 2002. O grupo perdeu outros comandantes nos últimos quatro anos.

"Isso nos coloca mais perto da vitória e da paz, então poderemos parar de matar uns aos outros," afirmou Jorge Cordero, um soldado de 19 anos que faz guarda ao norte de Bogotá.

A morte de Cano, que tinha 63 anos e assumiu a liderança das Farc quando o fundador do grupo morreu, em 2008, é uma grande vitória estratégia para o presidente, que assumiu o poder no ano passado e prometeu manter a postura linha-dura contra a guerrilha.

REBELDES ENFRAQUECIDOS

"Será cada vez mais difícil para eles passarem pelos próximos anos," afirmou Alfredo Rangel, um analista independente de segurança. "Não há líder com a intensidade de Cano e será difícil achar alguém para substituí-lo. No curto prazo, eles não terão líder. O fim não será automático ou imediato, mas estamos chegando ao fim das Farc."

Cano era um comunista de classe média de Bogotá e se tornou o maior líder das Farc após participar de conversas de paz na Venezuela e no México durante a década de 1990.

O ataque que matou Cano mostrou como o setor militar da Colômbia pode atacar rebeldes nas montanhas e selvas do país. Antes uma poderosa força que controlava grandes regiões da Colômbia, as Farc estão em sua fase mais frágil em décadas.

A violência, as explosões e os sequestros caíram muito depois que as tropas colombianas passaram a usar mais seu serviço de inteligência, recebendo treinamento e tecnologia dos EUA para combater os rebeldes.

A melhora na segurança ajudou a Colômbia a recuperar o grau de investimento de três agências de Wall Street neste ano.

(Reportagem adicional de Nelson Bocanegra e Helen Murphy)

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