Líder das Farc propõe diálogo a novo governo da Colômbia

O líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) propôs ao novo governo do presidente Juan Manuel Santos um diálogo para buscar uma solução política ao conflito interno, segundo um vídeo difundido por um órgão de informação do grupo.

JAVIER MOZZO PEÑA, REUTERS

30 de julho de 2010 | 17h04

Guillermo León Sáenz, também conhecido como "Alfonso Cano", disse em um vídeo de 36 minutos que a guerrilha está empenhada em negociar uma saída política ao conflito, mas sem depor as armas.

"Tem que conversar, falemos pontos essenciais, estamos à disposição para falar até que ponto precisamos de armas para lutar pela democracia", disse Cano na gravação divulgada no site da revista Resistencia, das Farc.

"As possibilidades para o país solucionar essa situação ... são através do diálogo, das conversas, das propostas políticas, da diplomacia", acrescentou o chefe das Farc, consideradas uma organização terrorista pelos Estados Unidos e Europa, depois de manifestar que a moral de seus homens está "muito alta".

As Farc lutam desde a década de 1960 para impor um regime socialista por meio de armas, mas dos 18 mil combatentes que tinham, agora possuem cerca de 8 mil, segundo números do governo, depois da severa ofensiva do presidente Álvaro Uribe, apoiada pelos norte-americanos.

O vídeo mostra Cano vestido com um casaco de manga comprida de cor café escuro e com um fundo camuflado do mesmo tom em um ambiente de floresta.

Durante os oito anos do governo de Uribe, fracassaram as intenções de diálogo de paz com os guerrilheiros devido à imposição do mandatário, que condicionou qualquer aproximação à deposição de armas e entrega de centenas de reféns mantidos nas florestas colombianas, alguns deles há mais de uma década.

Cano criticou o acordo militar que o governo da Colômbia assinou com os Estados Unidos, permitindo o acesso de um número limitado de efetivos desse país e que provocou uma crise diplomática e comercial com a Venezuela.

A Colômbia é a principal aliada de Washington na região.

Além disso, o chefe rebelde qualificou de uma vitória da oligarquia a eleição de Santos à Presidência, que assumirá o cargo em 7 de agosto.

"O triunfo do doutor Juan Manuel Santos em 20 de junho garante à oligarquia colombiana a continuidade de suas políticas e de suas estratégias", disse.

Santos, ex-ministro da Defesa de Uribe, foi eleito com a promessa de manter a política de segurança de seu antecessor.

Tudo o que sabemos sobre:
COLOMBIAFARCNEGOCIA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.