Líder das Farc tem 'portas abertas' para negociar, diz Colômbia

Governo colombiano afirma que manterá ofensiva contra o grupo se sucessor de Tirofijo insistir na violência

Agências internacionais,

27 de maio de 2008 | 07h38

O ministro do Interior colombiano, Carlos Holguín Sardi, enviou na segunda-feira, 26, ao novo líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Alfonso Cano, a primeira mensagem do gabinete do presidente Álvaro Uribe. Segundo o jornal colombiano El Tiempo, Cano terá portas abertas se seguir com a opção da paz, segundo o ministro, porém se mantiver atitude como a de seu antecessor, Manuel Marulanda ou Tirofijo, fundador e chefe do grupo, as autoridades manterão os combates contra a guerrilha. "Se Cano não negociar, o exterminaremos", destaca a reportagem.   Veja também: Farc estão cada vez mais debilitadas, diz analista Morte de Marulanda mergulha as Farc em dúvidas 'Alfonso Cano', o novo líder das Farc Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região   Timochenko confirma a morte de Tirofijo    Holguín foi prudente ao afirmar que deve esperar para ver qual será a orientação da nova direção das Farc, e assinalou que existem versões contraditórias sobre o novo chefe do grupo, sobre o ideólogo, político e ao mesmo tempo um guerrilheiro de linha dura, postura fundamentalista, com quem não seria fácil alcançar acordos.   O ministro do interior afirmou ainda que a morte de Tirofijo não implica em qualquer mudança de postura do governo Uribe em relação à política de segurança democrática. "Pelo contrário, vamos incrementá-la", indicou.   A morte de Marulanda, aos 77 anos, foi revelada no sábado pelo ministro de Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, e confirmada no dia seguinte num comunicado da guerrilha. Segundo as Farc, Tirofijo morreu de enfarte "nos braços de sua companheira e cercado por sua guarda pessoal". As circunstâncias da morte, porém, ainda não foram confirmadas e o governo colombiano diz que elas poderiam estar relacionadas às ações militares   O anúncio de que Cano - cujo nome verdadeiro é Guillermo León Sáenz - assumiria o comando surpreendeu analistas e, segundo fontes militares, até comandantes da guerrilha, que esperavam que o cargo fosse ocupado pelo líder militar do grupo, "Mono Jojoy". Até agora, a guerrilha havia privilegiado em sua linha de sucessão líderes ligados ao mundo rural ou os que participaram da fundação do grupo.   Com formação em antropologia, o novo líder das Farc tem 52 anos e é de Bogotá. Ele participou das negociações com o governo nos anos 90 e é visto como mais afeito aos embates políticos do que às estratégias militares. "É um homem mais obcecado pela política do que pela guerra", diz Camilo Gómez, alto comissário para a paz do governo Andrés Pastrana (1998-2002), que por três anos negociou com as Farc.

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