Líder de facto hondurenho alivia discurso com Zelaya

Micheletti pode aceitar que presidente volte ao país; Congresso analisa nesta quinta o plano da Costa Rica

30 de julho de 2009 | 07h44

O presidente de facto de Honduras pediu na quarta-feira, 29, novas negociações para que seja resolvida a crise política no país, e uma fonte afirmou que ele pode estar aberto ao retorno do líder deposto Manuel Zelaya sob condições restritas. Robert Micheletti, nomeado pelo Congresso como presidente após o golpe que derrubou Zelaya no mês passado, pediu que um enviado especial vá a Honduras "para cooperar no início do diálogo em nosso país."

 

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A comissão do Congresso de Honduras responsável por estudar a concessão de uma possível anistia política ao presidente deposto, Manuel Zelaya, deve anunciar nesta quinta-feira sua recomendação ao plenário, indicando uma possível saída para o impasse político que já se arrasta há mais de um mês. A recomendação do grupo de sete parlamentares é vista como uma oportunidade de o governo de facto ceder em alguns dos pontos mais polêmicos da proposta de reconciliação apresentada pelo presidente costa-riquenho, Oscar Arias, que atua como mediador na crise.

 

Micheletti afirmara diversas vezes que o governo, a Suprema Corte e o Congresso estavam firmemente contra o retorno de Zelaya, e que isso nunca aconteceria, mas seu tom pode estar mudando. Uma fonte ligada ao governo de facto disse que o líder interino agora pode estar considerando a volta de Zelaya, se tiver garantias de que o presidente deposto não vai tentar enfraquecer a democracia.

 

Pressionado pelos Estados Unidos para reverter o golpe, Micheletti aliviou o tom de seu discurso e disse que muitos hondurenhos podem ter um papel importante para ajudar a resolver a crise. "O diálogo, essa comunicação efetiva, deve incluir todas as partes da sociedade civil, nossas igrejas, grupos profissionais, grupos de estudantes, associações comerciais, mídia, partidos políticos", disse ele em comunicado lido na televisão.

 

Micheletti pediu que o mediado Oscar Arias, presidente da Costa Rica, envie a Honduras Enrique Iglesias, ex-presidente do Banco de Desenvolvimento Interamericano, para intermediar as negociações, que no momento estão mortas.

 

Washington exigiu o retorno de Zelaya e na terça-feira negou vistos diplomáticos para quatro membros do governo interino de Micheletti. Em Tegucigalpa, o governo de facto minimizou a importância da decisão dos EUA. Funcionários disseram que ainda poderiam entrar nos EUA com vistos de turistas.

 

A comissão do Congresso de Honduras responsável por estudar a concessão de uma possível anistia política ao presidente deposto, Manuel Zelaya, deve anunciar hoje sua recomendação ao plenário, indicando uma possível saída para o impasse político que já se arrasta há mais de um mês.

 

A recomendação do grupo de sete parlamentares é vista como uma oportunidade de o governo de facto ceder em alguns dos pontos mais polêmicos da proposta de reconciliação apresentada pelo presidente costa-riquenho, Oscar Arias, que atua como mediador na crise.

 

Entre as sugestões de Arias estão a anistia política, a restituição da presidência a Zelaya e a antecipação das eleições, já rejeitada pelo Tribunal Eleitoral. A entrega do parecer da comissão coincidirá com o segundo dia da reunião de Tuxtla, na Costa Rica, entre representantes do México, da Colômbia e de países da América Central. O golpe em Honduras e a tensão política entre os governos da Colômbia e da Venezuela - por causa do suposto tráfico de armas de Caracas para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - dominaram o início da cúpula.

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