Líder deposto pede ação da ONU e EUA em Honduras

Zelaya cobra medidas mais severas da Casa Branca contra golpistas; Hillary tem conversa 'dura' com interino

21 de julho de 2009 | 07h34

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, fez um apelo à comunidade internacional, incluindo ONU e EUA, para que apoiem o seu retorno ao poder do país, uma vez que fracassaram as negociações para resolver a crise política no país depois do golpe. "A comunidade internacional deve marcar um precedente para que isto não se repita e que os golpes de Estado sejam parte da história e que aqueles que tentarem sejam castigados", disse Zelaya em uma entrevista ao jornal espanhol El Mundo.

 

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O jornal indica que entrevistou Zelaya na embaixada de Honduras em Manágua, uma das escalas do presidente depois que foi retirado do país à força por militares que tomaram o poder e conduziram Roberto Micheletti ao poder. Governos de todo o mundo vem pedindo a volta de Zelaya ao poder e rejeitam o governo interino, mas Micheletti disse na segunda-feira que nunca permitirá a volta de Zelaya à presidência do país. Ao ser perguntado se a situação teria um fim com intervenção diplomática dos Estados Unidos, Zelaya disse: "Imediatamente. Isto durará o que dura um suspiro quando os Estados Unidos tomarem medidas claras contra os golpistas."

 

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, já advertiu o líder interino de Honduras, Roberto Micheletti, que o país poderá enfrentar cortes na ajuda econômica oferecida por Washington se não chegar a um acordo com Zelaya. Não está claro quais as sanções que podem ser aplicadas, mas os EUA fornecem US$ 180 milhões à Honduras de ajuda econômica. Os EUA já suspenderam US$ 16,5 milhões em ajuda militar e podem suspender outros US$ 200 milhões em empréstimos multilaterais.

 

O líder deposto, aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não indicou exatamente que ação espera da comunidade internacional. Segundo ele, as negociações fracassadas mediadas pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, para encerrar a luta pelo poder em Honduras, revelou a natureza "arrogante, militar e fascista" do governo de facto.

 

Zelaya reiterou ainda sua intenção de voltar rapidamente ao país, apesar dos temores de que seu retorno provoque uma guerra civil. "Arias pediu mais uns dias, mas já estamos organizando a resistência interna que nos garanta a Constituição para preparar o meu retorno ao país".

 

Arias fez uma proposta que incluía a volta de Zelaya ao poder, a formação de um governo de conciliação nacional e uma anistia para integrantes de oposição e do governo hondurenho. O texto agradou Zelaya, mas os golpistas o consideraram "inaceitável".

 

Zelaya foi expulso de Honduras no dia 28, quando militares o levaram de pijama para a Costa Rica. Desde então, diversas organizações e países adotaram medidas para pressionar os golpistas. Os países-membros da OEA suspenderam Honduras da entidade. Os EUA cortaram a cooperação militar e financeira com o país, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, créditos de US$ 200 milhões, e a Venezuela, o envio de petróleo subsidiado.

 

Texto atualizado às 8h15.

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