Líder deposto pode voltar como 'cidadão comum', diz Honduras

Presidente derrubado por golpe de Estado promete chegar ao país nesta quinta-feira para retomar o cargo

30 de junho de 2009 | 10h24

O governo instalado em Honduras após o golpe militar afirmou nesta terça-feira, 30, que o presidente deposto Manuel Zelaya pode retornar ao país quando desejas, mas como "cidadão comum". A declaração foi uma resposta às declarações de Zelaya, que prometeu retornar a Honduras nesta quinta-feira para reassumir o cargo. Nesta terça, o presidente deposto falará à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, para protestar contra o golpe.

 

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Honduras continuou desafiando a crescente pressão internacional e as manifestações nas ruas do país para que restitua o presidente Manuel Zelaya no cargo. O novo ministro de Relações Exteriores hondurenho, Enrique Ortez Colindres, parte do novo governo que assumiu o país, afirmou que Zelaya não tem proibido o ingresso em Honduras. "O que tem que fazer é pedir uma permissão para entrar no território e eu a darei mas, até o momento, ele não a pediu", disse o ministro. "Para autorizar o ingresso de Zelaya, não se consideraria ele como um presidente, mas sim como um cidadão comum."

 

Zelaya disse que voltará ao país acompanhado do presidente da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, depois de fazer um discurso na terça-feira na Organização das Nações Unidas (ONU) para reforçar seu argumento de que é o "presidente legítimo" de Honduras. "Vou para Tegucigalpa na quinta-feira, chega o presidente eleito pelo povo", disse Zelaya na Nicarágua, onde recebeu apoio incondicional do bloco de países esquerdistas liderado por Chávez. Os membros do bloco retiraram seus embaixadores de Honduras em sinal de protesto.

 

Estados Unidos, União Europeia e países latino-americanos apoiaram Zelaya, aliado próximo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, logo depois de sua deposição no domingo, no primeiro golpe militar na América Central desde a Guerra Fria. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reiterou que os EUA só reconhecerão Zelaya como presidente, já Chávez assegurou que deixará de enviar petróleo para o país de 7 milhões de habitantes enquanto os "usurpadores" governarem Honduras.

 

Enquanto isso, o presidente designado de Honduras, Roberto Micheletti, nomeado no domingo pelo Congresso, ignorou o cerco internacional e nomeou na segunda-feira um governo de transição, com o qual planeja conduzir o país até as eleições em novembro. Magnata do setor madeireiro e de tendência liberal, a guinada de Zelaya para a esquerda e sua crescente aliança com Chávez irritaram as elites conservadoras boa parte da população de Honduras, o país mais pobre das Américas depois do Haiti e da vizinha Nicarágua.

 

O presidente deposto, cujo apoio popular havia caído para níveis de 30% em meio à crise econômica, foi deposto quando promovia uma consulta sobre a reeleição presidencial. Essa consulta tinha a oposição da Justiça, dos militares e de setores do empresariados, dos políticos e da Igreja. "O presidente Zelaya estava levando o país para o chavismo, estava seguindo esse modelo que não é aceitável para os hondurenhos", disse Micheletti numa entrevista à Reuters no palácio do governo, onde se instalou apesar das manifestações se concentrarem nessa região.

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