Líder guerrilheira das Farc negociou rendição com a Colômbia

'Karina' comandava uma divisão da guerrilha no noroeste do país e é acusada de matar o pai do presidente Uribe

Agências internacionais,

19 de maio de 2008 | 11h16

A guerrilheira das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Nelly Ávila Moreno, conhecida como Karina, que entregou à polícia colombiana, negociou por pelo menos 15 dias a sua rendição, segundo informa a edição online do jornal colombiano El Tiempo nesta segunda-feira, 19. O diário afirma que ela telefonou várias vezes para autoridades colombianas desde o fim de abril para dialogar sobre a sua entrega, porque "não queria continuar levando a vida que tinha".   Veja também: Líder guerrilheira se entrega na Colômbia Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região     Considerada uma das mais sanguinárias, a guerrilheira de 45 anos se apresentou às tropas do Departamento de Antioquia no domingo, 18. A líder rebelde comandava a "frente 47" da guerrilha e era considerada a mulher de mais alto escalão dentro do grupo e é acusada de uma série de assassinatos e seqüestros. Karina é a guerrilheira mais importante que já se entregou ao governo e entre os seus delitos, está a acusação de ter assassinado o empresário Alberto Uribe Sierra, pai do presidente colombiano, Álvaro Uribe, em um seqüestro em 1983.   Karina esteve em contato com a diretora dos serviços de inteligência colombianos, María del Pilar Hurtado, que lhe ofereceu todas as garantias de vida, assim como confirmou Álvaro Uribe. Em 2002, o presidente colombiano a apontou com um dos principais alvos das forças de segurança do país e ofereceu uma recompensa de US$800 mil (R$1,3 milhão) para quem a capturasse ou matasse.   Karina perdeu um dos olhos em combate, tem diversas cicatrizes na face e um ferimento no braço causado por um tiro. Seu comandante direto dentro da guerrilheira, o líder Ivan Rios, foi assassinado em março deste ano por um de seus guarda-costas e considerado homem de confiança da guerrilheira. O guarda-costas chegou a cortar as mãos de Rios para provar às autoridades que tinha matado o comandante e receber uma recompensa acima de US$ 1 milhão(R$1,7 milhão).   Segundo o governador de Antioquia, Luis Alfredo Ramos, Karina se entregou por pressões familiares, já que seus parentes sabiam que a guerrilheira poderia acabar morta em operações militares se não se rendesse.   O general Juan Pablo Rodríguez, comandante da IV Brigada do Exército, com jurisdição na região de Antioquia, disse que a guerrilheira foi levada em uma operação com dois helicópteros, na zona rural, e transportada para a sede da Brigada, onde está agora. Imagens de emissoras locais, de Medellín, capital de Antioquia, mostraram a guerrilheira, uma mulher robusta e morena, vestida com calças, casaco escuro e um colete à prova de balas com as insígnias da DAS. Com a rebelde, entregou-se também Abelardo Montes, outro insurgente que, segundo as primeiras informações, era companheiro e chefe de segurança de Karina.

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