Líder indígena peruano estuda candidatar-se a presidente

O líder indígena peruano Alberto Pizango, representante de tribos que entraram em confronto com a polícia no ano passado por causa de projetos petrolíferos em terras ancestrais, está estudando candidatar-se a presidente no ano que vem, disseram seus auxiliares nesta quinta-feira.

REUTERS

13 de agosto de 2010 | 11h07

Pizango é acusado pelo governo de ter fomentado um levante que deixou 33 pessoas mortas, na pior crise enfrentada até agora pelo presidente Alan García. Ele já está recolhendo assinaturas para formar um partido político chamado Aliança Alternativa para a Humanidade.

"Ele disse que está disposto. Agora depende de todos os outros líderes indígenas decidirem se ele será o candidato", declarou Edson Rosales, funcionário do grupo de Pizango, o Aidesep, que representa tribos da Amazônia peruana.

Grupos indígenas peruanos, inspirados em parte por movimentos bem-sucedidos de tribos na Bolívia e Equador, falam há tempos em formar um partido político. Nos próximos dias líderes indígenas do Peru vão se reunir para ver se conseguem criar uma ampla aliança que possa incluir tribos da selva amazônica e dos Andes.

Uma candidatura de Pizango poderia retirar apoios para Ollanta Humala, um ultranacionalista de esquerda que assustou os mercados financeiros quando quase venceu a corrida presidencial em 2006, mas está agora em quarto lugar nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2011.

As autoridades consideram Pizango um insurgente e ele está sendo processado por traição. Pizango diz que as acusações são forjadas.

"O governo quer nos dividir. As tribos vão responder participando da eleição de 2011", disse ele esta semana.

Em junho do ano passado, tribos da Amazônia bloquearam estradas para pressionar o governo a arquivar uma série de leis que García havia aprovado para estimular empresas estrangeiras a investir na exploração de minas e de petróleo na selva.

Depois de confrontos com a polícia, García pediu que o Congresso derrubasse as leis. Ele também demitiu seu gabinete inteiro quando as pesquisas mostraram queda de aprovação de seu governo pela população, que o responsabilizava por não ter evitado a violência.

(Reportagem de Marco Aquino e Terry Wade)

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