Líder máximo das Farc está morto, confirma o governo

Causa da morte ainda é investigada, diz comunicado lido por René Moreno, da Forças Militares da Colômbia

Agências Internacionais,

24 de maio de 2008 | 21h44

O governo da Colômbia confirmou neste sábado, 24, em comunicado lido pelo almirante René Moreno, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Militares da Colômbia, que o chefe máximo e fundador da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Pedro Antonio Marín - também conhecido como "Manuel Marulanda" ou "Tirofijo" - está morto. "'Tirofijo' faleceu às 18h30 do horário local (20h30 de Brasília) de 26 de março passado por causas que ainda não foram confirmadas", disse Moreno. Tirofijo, que teria completado 78 anos em 12 de maio, passou os últimos 40 anos em florestas e nos campos entre os rebeldes das Farc. Era considerado o guerrilheiro ativo "mais velho do mundo".  Veja também:'Alfonso Cano', o provável novo líder das FarcPor dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região    A confirmação oficial foi feita após a Semana, uma das principais revistas colombianas, que começou a circular neste domingo, 25, publicar a informação dada em entrevista pelo ministro da Defesa, Juan Manuel Santos. Na versão da revista na web, o ministro disse à jornalista Maria Isabel Rueda que a informação era proveniente de uma fonte fidedigna.   Segundo o comunicado oficial, a causa da morte ainda estaria sendo investigada. Pode ter sido ataque cardíaco ou bombardeio, já que Forças Militares colombianas bombardearam diferentes áreas de La Uribe, no departamento Meta, perto do dia em que Tirofijo faleceu, por que tinham informações de que ele estaria ali. O texto assinala que "entre as Farc, a versão é de que o chefe morreu por causas naturais, especificamente por uma parada cardíaca". O documento informa que o grupo rebelde designou como seu sucessor Guillermo León Sánez, conhecido como "Alfonso Calo".  A Agência de Notícias Nova Colômbia (Anncol, com sede em Estocolmo, Suécia), que apóia as Farc,  divulgou uma nota dúbia que diz: "se morreu, não terá sido estéril sua passagem pela grande pátria de Bolívar".  O cabeça das Farc nasceu em Gênova, um povoado do departamento de Quindío, centro-oeste, em 12 de maio de 1930. Segundo alguns de seus biógrafos, ganhou seu apelido por sua boa pontaria e, segundo reza a lenda, "onde põe o olho, põe a bala."  Tirofijo foi o fundador das Farc. Ele ajudou a organizar a guerrilha durante os anos 60, como grupo de esquerda lutando pela justiça social. A última vez que ele foi visto em público foi durante as frustradas negociações de paz com o governo do presidente Andrés Pastrana (1998-2002). Ele já foi dado como morto nos últimos anos pelo menos três vezes, a última delas em 2004. Enfraquecimento Após 40 anos de combate, o grupo rebelde têm sido enfraquecido pela campanha do presidente Álvaro Uribe, como apoio dos Estados Unidos.  Após anos de violência e impasse nas negociações com o governo, as Farc libertaram neste ano seis reféns políticos, com a mediação do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Em Caracas e Bogotá, circulavam rumores de que Tirofijo teria recebido abrigo de Chávez e - com a saúde abalada - estaria sob a proteção de militares venezuelanos em algum lugar perto da fronteira com a Colômbia. A versão de que o governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, vinha buscando implacavelmente eliminar os líderes da guerrilha ganhou força em 1.º de março, quando aviões ê soldados da Colômbia mataram, em território do Equador, o "número 2" das Farc, Raúl Reyes. A ofensiva abriu uma grave crise política entre Colômbia e Equador Uma semana depois, Iván Rios, outro membro da cúpula das Farc, foi assassinado pelo chefe de sua segurança, Pedro Pablo Montoya. O guerrilheiro entregou às autoridades uma das mãos do comandante e recebeu uma recompensa de US$ 2,7 milhões pelo assassinato. Na segunda-feira, 19, Nelly Ávila Moreno, conhecida como "Karina" e considerada uma das mais violentas dirigentes do grupo, entregou-se às autoridades. Ela disse ter desertado porque passava fome na selva, estava desmotivada e cansada.  Com pouco apoio popular, as Farc têm sido empurradas de volta para florestas e montanhas remotas, mas os rebeldes ainda são uma força poderosa em algumas áreas, ajudados pelos recursos obtidos com o tráfico de cocaína.  A imagem internacional das Farc também tem sido prejudicada pelos relatos dos reféns libertados neste ano sobre as condições de vida no cativeiro.

Tudo o que sabemos sobre:
TirofijoFarcColômbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.