Líder nas pesquisas teme fraude em eleição presidencial no Peru

O candidato favorito na eleição presidencial de abril no Peru alertou na terça-feira para a possibilidade de ser vítima de uma fraude, após a surpreendente decisão da Justiça Eleitoral que levou à suspensão da divulgação de pesquisas de intenção de voto.

REUTERS

15 de fevereiro de 2011 | 20h41

O candidato Alejandro Toledo, que já foi presidente, acusou o atual ocupante do cargo, Alan García, de estar por trás dessa regra, o que favoreceria outros candidatos, evitando assim que ele promova uma investigação sobre supostos casos de corrupção no atual governo.

Pela nova regra da Justiça Eleitoral, os institutos de pesquisa precisarão fornecer o nome de todos os entrevistados, seu número de identidade, telefone e endereço.

A Associação Peruana de Empresas de Pesquisas de Mercado qualificou a norma como uma forma de censura e decidiu parar de divulgar pesquisas eleitorais até que o Juizado Nacional de Eleições reveja a medida.

"Quero expressar meu forte protesto por um ato que me parece absolutamente anticonstitucional, nada democrático, e que pode ser o primeiro passo para uma fraude eleitoral nesta disputa", disse Toledo a uma rádio local.

Toledo registra 28 a 30 por cento nas pesquisas dos principais institutos, o que o coloca em condições de disputar o segundo turno, em 5 de junho, contra a deputada Keiko Fujimori ou o ex-prefeito de Lima Luis Castañeda, seus principais rivais.

García, que não tem direito a disputar um novo mandato, já fez elogios públicos a Castañeda e ao ex-ministro da Economia Pedro Pablo Kuczynski, também candidato. Em outras ocasiões, ele também se referiu de forma positiva a Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori.

Castañeda, que passou vários meses como líder das pesquisas, e Kuczynski, que figura na quinta colocação, vinham fazendo crítica ao trabalho dos institutos de pesquisas.

Kuczynski , no entanto, defendeu a suspensão da nova regra. "Não acho que haja uma fraude eleitoral, acho, sim, que é preciso revogar essa medida para que os institutos possam fazer seu trabalho, ponto", disse ele a jornalistas.

Já o candidato nacionalista Ollanta Humala, temido pelos investidores e quarto colocado nas pesquisas, apoiou a restrição aos institutos, dizendo que ninguém "deve escapar da fiscalização."

Toledo ameaçou "mobilizar as ruas" caso a decisão não seja revogada.

(Reportagem de Marco Aquino, Patricia Vélez e Terry Wade)

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