Líder opositor é acusado por enriquecimento na Venezuela

Chávez lanca campanha para recolher assinaturas para garantir apoio à reeleição presidencial ilimitada no país

Associated Press e Efe ,

12 de dezembro de 2008 | 09h24

 Promotores venezuelanos acusaram formalmente o principal líder opositor do país por corrupção. Ex-candidato presidencial, Manuel Rosales foi acusado na quinta-feira, 11, por suposto enriquecimento ilícito como governador do Estado de Zulia, rico em petróleo. Rosales pode pegar entre três e dez anos de prisão. O popular opositor do governo Hugo Chávez, que perdeu para o atual presidente a disputa presidencial em 2006, nega qualquer irregularidade e afirma que o processo tem motivação política.  "Eles estão tentando me linchar politicamente, a fim de me retirar do mapa político", afirmou Rosales. As acusações são fruto de uma investigação realizada enfocando a conduta de Rosales como governador entre os anos de 2002 e 2004, disseram os promotores em comunicado. Os detalhes do caso não haviam sido divulgados. A investigação sobre Rosales foi reaberta de "modo suspeito", em meio à campanha das eleições regionais de novembro. O presidente venezuelano se empenhou bastante na campanha, apoiando seus candidatos e atacando os opositores - Rosales era um de seus alvos preferidos. Os candidatos de Chávez ganharam a maioria dos postos, porém a oposição levou cinco governos - incluindo três dos mais populosos Estados - e também a prefeitura de Caracas. "Desde então, eles reforçaram essa campanha para criminalizar os que se opõem ao governo", acusa Rosales. Ele lamentou que possa ser impedido de assumir o cargo para o qual foi eleito em novembro, de prefeito de Maracaibo, segunda cidade mais populosa da Venezuela. Após as eleições, Chávez anunciou planos para realizar um referendo a fim de acabar com o limite de reeleições para presidente. O referendo deve ocorrer no início do próximo ano, possivelmente em fevereiro. Chávez iniciou a coleta de assinatura nesta quinta-feira - um processo simbólico, já que os parlamentares começaram o processo para discutir o texto. Chávez disse que sua permanência no cargo seria "uma garantia de paz". Já a oposição no poder "seria o caos para a Venezuela", afirmou. O líder opositor e governador de Miranda, Henrique Capriles Radonski, afirmou na quinta que Chávez "só sabe governar em um contexto de confronto", e deve assumir suas "responsabilidades como governante" após dez anos no poder. "Chávez continua pensando que está na oposição, mas tem de assumir que é o presidente, e que as responsabilidades devem ser exigidas dele"."Chávez se equivoca, está abusando do poder. Ele tem de entender que a sorte da Venezuela não é a sorte de uma só pessoa", acrescentou o líder opositor. O jovem governador, que tomou posse há apenas uma semana, também criticou o projeto de emenda constitucional impulsionado por Chávez para se candidatar a um terceiro mandato nas eleições presidenciais de 2012, o que é proibido pela vigente Carta Magna. "A emenda constitucional não prosperará (...) é preciso espaço para alternância. O presidente já está há 10 anos no poder", assinalou. Assinaturas por reeleição O presidente venezuelano começou na quinta-feira a recolher assinaturas em apoio à reeleição presidencial ilimitada no país, durante um ato em Caracas. Chávez, que foi o primeiro a dar seu apoio à emenda constitucional que lhe permitiria continuar na Presidência da Venezuela em 2012, lançou a campanha do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) para recolher o maior número possível de assinaturas. "Os que queiram ser colônia, os que queiram ser escravos, os que queiram ser vassalos do capitalismo vão com eles!" (...) Os que queiram pátria, os que queiram ser livres, os que queiram felicidade para seus filhos e filhas venham comigo", escreveu Chávez em um quadros-negro instalado junto às mesas de recolhimento de assinaturas. A coleta de assinatura não é imprescindível para convocar o referendo necessário para modificar o artigo 230 da Constituição em vigor, que dá a possibilidade de reeleição presidencial a duas legislaturas de seis anos cada uma. Um total de 146 deputados dos 167 que conformam a unicameral Assembléia Nacional (AN) apresentaram já o projeto de emenda constitucional perante a direção, como tinha solicitado Chávez. Chávez, faltando quatro anos para concluir seu atual mandato presidencial, já se proclamou, à espera do referendo de fevereiro, "pré-candidato" para as eleições que em dezembro de 2012 decidirão o período de Governo entre 2013 e 2019.

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