Líderes do Peru e da Bolívia trocam insultos

O presidente do Peru, Alan García,gostaria de mandar o presidente da Bolívia, Evo Morales, "calara boca", disse o próprio dirigente peruano na terça-feira, diaem que se ampliaram as desavenças entre esse aliado fiel dosEUA e uma das principais vozes críticas ao governonorte-americano. García, conversando com repórteres um dia depois de o Peruter anunciado a retirada de seu embaixador da Bolívia, disseque Morales, um político de esquerda, precisava ser maisdiplomático. "Eu lhe diria: 'Por que você não se cala?"', disse operuano citando a frase dita pelo rei Juan Carlos, da Espanha,para o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante uma cúpularealizada no ano passado. Morales é um importante aliado deChávez. "Trate do seu próprio país, e não do meu", disse García. Durante o fim de semana, o líder boliviano acusou o Peru deaceitar a presença em seu território de uma base militarsecreta dos EUA -- algo negado pelo governo peruano. O Departamento de Estado norte-americano afirmou não terplanos de construir uma base militar no Peru, onde o Exércitodos EUA colabora em obras de infra-estrutura e projetoshumanitários. Morales, que participa de um encontro do Mercosul realizadoem Tucumán (Argentina), chamou García de intolerante. "Qualquer presidente que manda outra pessoa se calar é umpresidente avesso à democracia, um presidente que não aceita odiálogo, que não ouve as pessoas," afirmou o líder da Bolívia. O atrito entre Morales e García chama atenção para umalinha divisória de caráter ideológico existente na AméricaLatina separando de um lado os aliados dos EUA, favoráveis apolíticas neoliberais, e de outro lado os adversáriosesquerdistas dos EUA. COMÉRCIO As tensões entre o Peru e a Bolívia encontram-se em umpatamar alto desde que o governo peruano assinou um acordo delivre comércio com os norte-americanos, no ano passado. Os bolivianos criticaram o pacto e, ao lado do Equador(cujo presidente também é esquerdista), brecaram os esforços daColômbia e do Peru para negociar um acordo de livre comércioentre a União Européia (UE) e a Comunidade Andina de Nações(CAN). Nesta semana, a UE cancelou as negociações com a CANmarcadas para julho, citando a falta de acordo entre os membrosdesse bloco, afirmou o Ministério das Relações Exteriores doEquador. Isso deixou frustrados o Peru e a Colômbia. Esta últimatenta selar também um acordo de livre comércio com os EUA. Osenador John McCain, candidato do Partido Republicano àPresidência norte-americana, visitava o território colombianona terça-feira. O presidente do Equador, Rafael Correa, opõe-se ainda arenovar um contrato de arrendamento permitindo que soldadosnorte-americanos usem a base aérea de Manta para realizaroperações de combate ao narcotráfico. O contrato dearrendamento da base no Equador, país que faz fronteira com onorte do Peru, deixa de vigorar em 2009. (Reportagem adicional de Dana Ford e Maria Luisa Palominoem Lima, Lucas Bergman em Buenos Aires e Alonso Soto em Quito)

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