Líderes latino-americanos pedem que Obama acabe embargo a Cuba

Os líderes latino-americanos pediram na quarta-feira ao presidente eleito dos EUA, Barack Obama, que suspenda assim que tomar posse o embargo norte-americano contra Cuba, em vigor há 46 anos. Os líderes de 33 países latino-americanos e caribenhos disseram que a adoção de sanções unilaterais é "inaceitável", e que Washington deve cumprir as resoluções da ONU contra o embargo à ilha comunista, imposto em 1962, no auge da Guerra Fria. Em reunião de cúpula na Bahia, eles exigiram pelo menos a suspensão imediata das medidas de endurecimento adotadas nos últimos cinco anos pelo presidente norte-americano, George W. Bush, contra o regime cubano. Obama, que toma posse em 20 de janeiro, provavelmente revogará restrições contra viagens à ilha e envio de dinheiro por parte de cubanos radicados nos EUA. Mas tem dito que manterá o embargo comercial para estimular a democratização de Cuba. Havana conquistou mais aliados na América Latina graças à eleição de sucessivos governos de esquerda e centro-esquerda na maioria dos países, num momento de acentuado declínio da influência norte-americana na região. Demonstrando sua maior independência em relação a Washington, os líderes latino-americanos receberam a entrada de Cuba no Grupo do Rio, de países latino-americanos e caribenhos, e o presidente cubano, Raúl Castro, participou do encontro na Bahia. O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs que o grupo dê um prazo para o fim das sanções a Cuba, e que depois disso os governos latino-americanos deveriam retirar seus embaixadores de Washington. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discordou e argumentou que Obama deveria antes merecer uma chance de apresentar suas políticas para a América Latina.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.