Líderes pedem fim de protestos contra Constituição na Bolívia

Confrontos entre manifestantes e policiais deixam quatro mortos e pelo menos 130 feridos no final de semana

Agências internacionais,

26 de novembro de 2007 | 08h10

As televisões locais mostraram imagens da cidade sem policiais, mas com sinais da onda de violência, com dezenas de instalações e veículos oficiais queimados e saqueados no início desta segunda-feira, 26. Líderes cívicos de Sucre, capital oficial porém não efetiva da Bolívia, e o bispo da cidade, o espanhol Jesús Pérez, pediram que os manifestantes que interrompessem os incidentes.   Veja também:Protestos na Bolívia matam 3; Morales confirma Constituição   A polícia deixou a cidade após três dias de distúrbios e que provocaram a morte de quatro pessoas e deixaram mais de 130 feridos. A população protestava contra a aprovação de uma nova Constituição para o país.   O presidente do Comitê Interinstitucional de Sucre, Jaime Barrón, acusou o governo de instigar os protestos e afirmou que o presidente do país, Evo Morales, pretende que o caos impere na cidade com a decisão de retirar todos os policiais da cidade e liberar todos os presos.   O comandante da polícia de Sucre, coronel José Galván, confirmou a retirada dos policiais, que foram enviados para a vizinha cidade de Potosí. Ele disse que três metralhadoras foram roubadas de delegacias e usadas num ataque ao presídio de Sucre, de onde 102 detentos escaparam.   Nos últimos três días, Sucre é palco de confrontos entre a polícia e manifestantes que se opõem à aprovação em primeira instância pela Assembléia Constituinte, de uma nova Constituição. As mobilizações começaram na sexta-feira, em rechaço à decisão da base do governo de instalar a Assembléia Constituinte em um colégio militar e aprovar a nova Carta Magna sem a presença da oposição.   Os mortos durante os distúrbios são o advogado Gonzalo Durán, morto a tiros no sábado; o carpinteiro Juan Carlos Serrudo, morto por traumatismo no tórax e o policial Jimmy Quispe Carazas, linchado pela população. Pelo menos 130 pessoas foram feridas e algumas estão em estado grave.   Mais tarde, fontes do hospital de Santa Bárbara confirmaram que o estudante Luis Cardozo, de 19 anos, faleceu por conta de ferimentos. Ele estava internado desde sábado.   Evo afirmou que a ratificação do seu projeto da nova Carta Magna está segura, já que ele foi aprovado por 136 dos 255 constituintes. Segundo a BBC, o líder da oposição e ex-presidente Jorge Quiroga disse que "é uma verdadeira vergonha" o que ocorreu em Sucre e pediu a intervenção de organizações internacionais no país.   Em uma mensagem transmitida em rede nacional pela emissora estatal, Evo declarou que a sua proposta "será referendada e aprovada mediante consulta pública em um referendo pelo povo boliviano".   O texto aprovado no sábado estabelece um Estado plurinacional (com respeito às diferentes etnias e culturas), a possibilidade de reeleição do presidente da República, a autonomia das populações indígenas e um Estado comunitário.   Evo negou ainda todas as denúncias da oposição de que a aprovação seria ilegal e não mencionou o projeto de Constituição ou os mortos nos tumultos. Ele apenas pediu uma investigação "urgente e imparcial" para apurar os responsáveis pelos distúrbios e acusou Quiroga de promover e "prever" a violência em Sucre.   O governante disse que a nova Carta Magna garante a autonomia departamental e indígenas, assegura a nacionalização dos hidrocarbonetos e declara como "direitos humanos" os serviços básicos de água, energia e telecomunicações, para que não se tornem negócios privados.   Evo também garante, segundo Morales, a luta contra a corrupção, para investigar fortunas suspeitas e coloca a possibilidade de revogar os mandatos dos prefeitos, governadores regionais e do próprio presidente.

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