Roberto Escobar/Efe
Roberto Escobar/Efe

Lobo afirma ter informações de que querem tirá-lo da presidência

Governante hondurenho, no entanto, disse que sabe quem são os supostos golpistas

Efe,

08 de junho de 2010 | 22h18

TEGUCIGALPA- O presidente de Honduras, Porfirio Lobo, afirmou nesta terça-feira, 8, que tem informações de que querem tirá-lo da presidência, mas garantiu que não está preocupado porque "localizou todos".

 

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"A quem querem tirar, dizem que é o presidente da República", respondeu sorridente Lobo ao ser questionado por jornalistas sobre o interesse de parte do Parlamento em retirar o titular da Corte Suprema de Justiça.

 

Depois de um Conselho de Ministros na cidade de Guaimaca, a cerca de 80 quilômetros a leste de Tegucigalpa, Lobo negou que tenha medo de que possam derrubá-lo, como ocorreu com Manuel Zelaya em 28 de junho de 2009.

 

"Medo de quê? Não,por favor, mas se vão entrar em confronto comigo, não sabem. Digo algo: jamais devem esquecer que toda ação tem uma reação. Eu digo a eles, sei quem são, tenho todas as informações", disse Lobo.

 

O presidente que assumiu o poder em 27 de janeiro afirmou que já fez todo o possível a respeito de Zelaya, após dizer há duas semanas que estava disposto a ir buscá-lo na República Dominicana para demonstrar que em Honduras ninguém o fará nada, nem vão prendê-lo, como afirmou o governante deposto.

 

Zelaya tem julgamentos pendentes por quatro crimes, entre eles abuso de autoridade e traição à pátria, delito pelo qual tem um ordem de prisão decretada contra ele.

 

Lobo tem insistido nas últimas semanas em que Zelaya pode regressas ao país quando quiser e que ninguém o apressará, porque falou sobre isso com o presidente da Corte Suprema de Justiça, Jorge Rivera.

 

Segundo Lobo, Zelaya receberia tratamento digno de um ex-presidente, mas teria que responder aos tribunais pelos crimes que o imputam.

 

"Eu já fiz tudo que tinha de fazer, esse amigo (Zelaya) não quer vir, se alguém quiser, vá buscá-lo", disse Lobo.

 

O presidente também indicou que instruiu seus ministros para que se abstenham de participar de reuniões de seguidores e detratores de Zelaya, porque a função do atual governo "não é ser parte da confrontação em nenhum lado, mas sim ser parte do processo de reconciliação".

 

OEA

 

Lobo disse nesta terça que é "muito importante" que uma comissão de alto nível da Organização dos Estados Americanos (OEA) viaje a seu país para que "revise" e aponte se seu governo está fazendo algo errado.

 

"Muito importante que venha a OEA, que revise, que se estamos fazendo algo que não é correto, que nos aponte", disse Lobo a jornalistas após tomar conhecimento de que a 40ª Assembleia da OEA acordou criar uma comissão para analisar a reintegração de Honduras ao órgão.

 

Honduras foi suspensa da OEA em 4 de julho de 2009, em resposta ao golpe de Estado contra o então presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho deste mesmo ano.

 

"O importante é que nós como país temos a vontade de ter uma relação cordial com todos os países do mundo, sobretudo com nossos irmãos latino-americanos", disse Lobo.

 

O presidente indicou que o interessa que "tudo esteja no marco do que deve ser o respeito aos direitos humanos", o cumprimento do Acordo Tegucigalpa-San José (firmado por representantes de Zelaya e do ex-presidente de facto Roberto Micheletti) e "gerar um clima amigável para todas as nações da América Central e América Latina".

 

A 40ª Assembleia da OEA introduziu hoje em sua agenda a possível readmissão de Honduras e anunciou a criação de uma comissão de alto nível para estudar o caso.

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