Lobo recebe lista de candidatos à Comissão da Verdade

Grupo de estrangeiros irá investigar golpe que derrubou Zelaya; nomes de candidatos não foram revelados

estadao.com.br,

12 de março de 2010 | 21h38

O ex-vice-presidente da Guatemala, Eduardo Stein, entregou nesta sexta-feira, 12, ao presidente hondurenho Porfírio Lobo uma lista de oito candidatos estrangeiros para integrarem a Comissão da Verdade, que investigará o golpe de Estado de 28 de junho contra o então presidente Manuel Zelaya.

 

"Foi entregue ao presidente uma lista com oito nomes possíveis", disse Stein em uma coletiva de imprensa após se reunir com Lobo. Segundo Stein, os candidatos procedem "de toda a geografia americana e também de alguns países europeus".

 

O guatemalteco, no entanto, se negou a revelar nomes porque garantiu que essas pessoas "nem sequer foram contactadas para sua que sua disponibilidade seja avaliada".

 

Stein disse que havia falado com o líder hondurenho sobre países que poderiam financiar o trabalho desta comissão, que será integrada por três hondurenhos e três estrangeiros, e que poderia começar suas atividades "nas próximas semanas".

 

A Comissão da Verdade deveria ter sido instaurada em 25 de janeiro, mas sua criação foi adiada porque o nome dos três estrangeiros ainda não haviam sido escolhidos.

 

Na mesma coletiva de imprensa com Stein, Mario Canahuati, anunciou os membros hondurenhos da Comissão: a reitora da Universidade Nacional Autônoma de Honduras (UNAH), Julieta Castellanos, o ex-reitor Jorge Omar Casco e, como diretor técnico, o intelectual Sergio Membreño.

 

Lobo instaurou em 4 de fevereiro um grupo liderado por Stein para formar a Comissão que, com ajuda da Organização dos Estados Americanos (OEA), investigue os atos relacionados ao golpe de Estado que depôs Zelaya, atualmente refugiado na República Dominicana.

 

Honduras foi expulsa da OEA após o golpe. A organização exigiu a restituição de Zelaya, o que foi negado pelo regime de facto de Roberto Micheletti e pelo Congresso hondurenho.

 

A instauração da Comissão da Verdade foi uma exigência do Acordo Tegucigalpa/San José, firmado em 30 de outubro por representantes de Micheletti e Zelaya com o objetivo de acabar com a crise política.

 

Lobo, que assumiu o poder em 27 de janeiro, busca agora legitimar seu governo ante a comunidade internacional para que esta suspenda as sanções econômicas que impôs a Honduras após o golpe.

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