Lugo completa um ano no poder em meio a protestos

Descontentes, líderes de organizações dizem que presidente não cumpriu suas principais promessas

Associated Press,

14 de agosto de 2009 | 13h12

O ex-bispo católico Fernando Lugo completa nesta sábado, 15, o primeiro dos seus cinco anos como presidente do Paraguai em meio a protestos sociais pela demora do cumprimento de suas principais reformas eleitorais, a reforma agrária e a geração de empregos.

 

O Paraguai tem 6,2 milhões de habitantes, dos quais 38% vivem em condição de pobreza, sendo 20% em estado de miséria. O desemprego, segundo o censo de 2006, é de 16%, mas de acordo com as cinco centrais sindicais do país, a taxa é de 20%.

 

O ex-bispo, da congregação Verbo Divino, assumiu a presidência do país em 15 de agosto de 2008 após ter vencido as eleições nacionais de 20 de abril do mesmo ano como candidato da coalizão Aliança Patriótica pelas Mudanças (APC, na sigla em espanhol).

 

O grupo é formado por uma massa heterogênea massa de partidos políticos de direita, centro e esquerda, além de organizações campesinas e sociais de esquerda e sindicatos.

 

Lugo afirmou nesta sexta-feira, 14, em um ato no colégio católico San José que o povo paraguaio "deve buscar uma grande participação popular nos processos de mudanças", embora não tenha especificado quais são esses processos. O Palácio do Governo confirmou que no sábado será transmitida uma mensagem presidencial comemorando o primeiro aniversário de Lugo no poder.

 

"Lugo não cumpriu até o momento nenhuma das suas principais promessa eleitorais, a reforma agrária e a geração de empregos", disse Hugo Richer, líder do partido Convergência Socialista, um dos organizadores de um protesto contra o presidente em Assunção. "Se o presidente dissesse que não tinha experiência para governar, entenderíamos isso no início do mandato, mas agora, com um ano de gestão, não fez nada que mudasse o país", acrescentou.

 

Odilón Espínola, líder da Federação Nacional Campesina (FNC), organização de centro-esquerda, lembrou que "em julho, foram feitas três semanas de mobilização bloqueando rotas nacionais para chamar a atenção de Lugo por não ajudar o campesinato com a concessão créditos e outras medidas contra a seca de 2008". "Não estamos satisfeitos com a administração, mas ele ainda tem quatro anos para mudar o país", completou.

 

O centro de Assunção está ocupado por pequenas manifestações de quatro das 17 etnias indígenas sobreviventes. José Domínguez, da tribo Mbya Guaraní, disse que Lugo "prometeu dar comida, assistência médica e educação e a titulação de nossas terras, mas até agora não fez nada." "Ficaremos em Assunção quanto tempo for necessário", protestou o líder indígena falando no idioma guarani.

 

O vice-presidente Federico Franco, líder do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), também se mostrou descontente com a administração de Lugo até agora. "Sinto-me marginalizado e, utilizando uma frase de Diego Maradona, Lugo me cortou as pernas porque me ignora em suas decisões e não me consulta para nada", protestou.

 

Segundo o analista político Alfredo Boccia, Lugo "fez o que muita gente queria: retirou do poder o Partido Colorado com 61 anos de hegemonia. Mas com ele no governo, a população entendeu que as mudanças estruturais ocorrem em 15 ou 20 anos". "Criou-se muita expectativa, e por isso também houve muita decepção, porque nada pode fazer mudanças tão rápidas", concluiu Boccia.

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