Lugo pede explicações a Lula sobre militares na fronteira

Presidente paraguaio questiona presença militar no MS; soldados brasileiros são acusados de invasão

Associated Press e Reuters,

20 de novembro de 2008 | 11h52

O presidente paraguaio, Fernando Lugo, conversará por telefone com seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para tratar da presença de militares brasileiros na fronteira entre os países. Os militares estão perto de Salto del Guairá, 600 quilômetros a nordeste de Assunção, informou nesta quinta-feira, 20, o chefe-de-gabinete de Lugo, Miguel López.  Veja também:Soldados brasileiros são acusados de invadir o Paraguai Ainda segundo o funcionário, Lugo avaliará com o ministro da Defesa, general da reserva Luis Bareiro, e com o ministro das Relações Exteriores, Alejandro Hamed, a presença dos militares na fronteira. López se referia ao pelotão da 17.ª brigada da cavalaria mecanizada, sediada no povoado de Amambai, no Mato Grosso do Sul. Foi instalado recentemente o posto fronteiriço Paineirinha, em uma região de litígio diplomático entre os países. O lugar se encontra nas proximidades da cidade de Salto del Guairá, capital do departamento (Estado) de Kanindeyú. Na região há mais de 500 quilômetros de fronteira seca entre os países com pouco controle. Contrabandistas utilizam a área para transportar cigarros, bebidas alcoólicas e drogas. O comissário Néstor Giménez, de Salto del Guairá, declarou na quinta-feira à rádio Uno, de Assunção, que "um oficial encarregado do pelotão brasileiro pediu desculpas na quarta-feira quando um policial paraguaio o advertiu que estavam pisando em nosso território". Segundo Giménez, o chefe brasileiro, um capitão, teria dito que não sabia que estava em solo paraguaio. Incursão brasileira O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai pedirá explicações ao governo brasileiro devido a um incidente ocorrido na quarta-feira à tarde, 19, em uma região fronteiriça do noroeste paraguaio, área em que militares brasileiros ingressaram sem autorização, disse na quinta-feira um comunicado. O documento, firmado pelos ministros da Defesa e das Relações Exteriores, refere-se ao ingresso de militares brasileiros que avançaram 30 metros da fronteira, no cruzamento de uma estrada que liga Canindeyú a Painerinha, a 30 quilômetros da cidade de Salto del Guairá. Essa cidade encontra-se no Departamento de Canindeyú e faz fronteira com os Estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul. Segundo relatos de meios de comunicação locais, cerca de 30 membros do Exército do Brasil que realizavam uma operação de combate ao tráfico de drogas na região, localizada a cerca de 450 quilômetros de Assunção, estacionaram na beira de uma estrada da fronteira com armas de grosso calibre e colocaram cones de sinalização dentro do território paraguaio. "Qualquer incursão ao território nacional de efetivos policiais ou militares estrangeiros, sem autorização expressa do governo nacional ou sem coordenação com eles, constituiu uma violação da soberania territorial do nosso país", afirmou o comunicado da chancelaria. O documento acrescentou ainda que esse não era o primeiro incidente do tipo registrado naquela área, o que indica haver "uma prática inexplicável mas sistemática e uma atitude recorrente de confrontação e provocação". "Foram adotadas medidas diplomáticas para que se obtenha do governo brasileiro explicações sobre os recentes incidentes fronteiriços", concluiu o documento. O chefe de gabinete do governo paraguaio, Miguel López Peritito, disse a jornalistas que o presidente do país, Fernando Lugo, avaliará o incidente com o chanceler do Paraguai, Alejandro Hamed, e o ministro Luis Bareiro Spanini (Defesa). O governo paraguaio havia manifestado preocupação em vista dos exercícios militares realizados pelo Brasil há um mês na área de fronteira, exercícios esses descritos por jornais do Paraguai como uma demonstração de força do país vizinho diante das ameaças recebidas por agricultores brasileiros da parte de agricultores sem-terra.

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