Lugo tenta apaziguar conflito entre camponeses e 'brasiguaios'

Presidente do Paraguai viaja para San Pedro, onde são registradas ocupações a plantações de soja brasileiras

Efe,

17 de maio de 2008 | 16h42

O presidente eleito do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, viajou neste sábado, 17, para o departamento (Estado) de San Pedro, no centro do país, onde são registradas ocupações e ameaças de grupos de sem-terra a plantadores de soja brasileiros. Lugo foi para a região poucas horas depois de chegar da 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, em inglês), em Lima.  Cerca de 100 mil brasileiros se dedicam à agropecuária no Paraguai, em regiões próximas à fronteira - são os chamados "brasiguaios". Eles são acusados por camponeses locais de não respeitar a lei e contaminar o meio ambiente com agrotóxicos. Há alguns dias, pequenos produtores e trabalhadores rurais de San Pedro anunciaram que preparam a ocupação de 70 propriedades de sojeiros brasileiros. Na última quinta-feira, a bandeira do Brasil foi queimada num ato de comemoração do Dia da Independência do Paraguai organizado pela Coordenadoria de Defesa da Soberania e da Reforma Agrária na localidade de Curupayty, a 300 quilômetros de Assunção. O ato foi definido pelos camponeses como "o início de uma cruzada para expulsar os fazendeiros traidores e estrangeiros". Fontes indicam que Lugo pode entrar em contato com as partes em conflito ou ir para a região onde grupos de camponeses se mantêm mobilizados para ocupar propriedades de criação de gado ou fazendas controladas pelos produtores brasileiros. San Pedro é um dos departamentos mais pobres do país. Em Lima, Lugo qualificou como "um gesto de descortesia" o ato e disse que o Brasil "é um país solidário com o Paraguai" e assegurou que "é preciso diferenciar o que é o povo e o símbolo que representa", em declarações à imprensa paraguaia. Na sexta-feira, membros da Mesa Coordenadora Nacional de Organizações Camponesas (MCNOC) invadiram um sítio agrícola emTapiracuái Loma, no distrito de Capiibary, arrendado pelo brasileiro Gabriel Camilo Frassão. Um líder rural da região, Elvio Benítez, da Coordinadora Productores Agrícolas San Pedro Norte e que liderou a queima da bandeira brasileira, afirmou que os colonos do Brasil, além de "envenenar a população", traficam madeira das florestas.  Com uma base política formada por movimentos sociais, o ex-bispo Lugo fez da reforma agrária uma das principais promessas de sua campanha - ao lado da revisão dos tratados sobre a usina de Itaipu assinados com o Brasil. Recentemente, o presidente eleito anunciou que encomendará um novo cadastro das terras do país, mas negou que confiscará propriedades. Os brasiguaios são responsáveis pela produção de 98% da soja exportada pelo Paraguai - atividade que representa 30% do PIB do país.  (com Reuters)

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