Lula confia em acordo com Equador para caso Odebrecht

Presidente não tem dúvidas de que resolverá impasse com Correa, que expulsou a construtora brasileira do país

Tânia Monteiro e Nalu Fernandes, do Estado, com agências internacionais,

24 de setembro de 2008 | 17h14

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na tarde desta quarta-feira, 24, em entrevista coletiva no hotel Waldorf Astoria, que não tem dúvida de que será alcançado um acordo com o governo do presidente do Equador, Rafael Corrêa, para superar o problema surgido com a expulsão de dirigentes da construtora Odebrecht e suspensão da atuação da empreiteira brasileira naquele país. Lula fez declarações ao retornar, andando pelas ruas desta cidade, ao hotel após participar de reunião com dirigentes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).   Veja também: Enviado do 'Estado' comenta referendo equatoriano e expulsão da Odebrecht  Equador expulsa Odebrecht e ameaça não pagar o BNDES Crise com Odebrecht será resolvida em dias, diz Amorim Após bloqueio de bens, Correa expulsa Odebrecht do Equador Odebrecht propõe perícia independente em usina no Equador   O presidente disse que, por enquanto, a questão surgida no Equador não é uma questão que exija do presidente do Brasil uma participação direta, porque ela está sendo administrada no âmbito do Ministério das Relações Exteriores brasileiro. Segundo Lula, a Odebrecht é uma empresa "respeitada no Brasil", "e o Equador é um país que mantém relações extraordinárias com o Brasil e também uma relação histórica."   "Se acontecer um problema entre uma empresa brasileira e um país vizinho, nós vamos encontrar uma solução", afirmou o presidente, acrescentando: "Agora, vamos esperar que o Itamaraty cumpra todas as coisas que tem que fazer. Na hora em que chegar a necessidade de eu falar com o Corrêa, eu falarei. E não tenho dúvida de que vamos encontrar um acordo."   Ainda nesta terça, a construtora brasileira divulgou uma nota rebatendo as acusações do presidente equatoriano Rafael Correa, que a acusa de ter cometido falhas na construção da hidrelétrica de San Francisco, a segunda maior do país. Segundo ele, a paralisação da usina, que foi inaugurada em 2007, causou perdas milionárias ao país.   "Independentemente de qualquer apuração de causas ou responsabilidades, o Consórcio, liderado pela Odebrecht, imediatamente assumiu os trabalhos dos reparos, mobilizando aproximadamente 300 pessoas - técnicos, operários, consultores equatorianos e internacionais, visando o retorno da operação da Central em 04/10/2008, prazo este que estava sendo cumprido até a intervenção do governo", declarou a Odebrecht no comunicado.   "Cabe ressaltar que os prejuízos provocados pelos três meses de paralisação são inferiores aos ganhos obtidos pelos nove meses de antecipação do prazo de construção. Durante este período, estivemos negociando com o governo equatoriano um acordo de compromissos, muito além de nossas responsabilidades contratuais", continua a construtora. "Esperamos que a razão, o equilíbrio e principalmente a justiça prevaleçam em ambiente de discussões técnicas."   San Francisco é a primeira usina no mundo totalmente subterrânea, programada para responder por 12% da energia hidrelétrica do país. Está localizada ao lado do vulcão Tungurahua, a 220 km de Quito, e usa águas do Rio Pastaza. A usina custou mais de US$ 338 milhões e somente os reparos estão orçados em aproximadamente US$ 12 milhões, segundo o Conselho Nacional de Eletricidade do Equador (Conelec).   Desde 6 de junho a hidrelétrica vinha apresentando falhas técnicas que a obrigaram a interromper a geração, colocando em risco o abastecimento de energia do país andino. Na noite de terça-feira, Correa determinou a expulsão da empresa do país, logo após tomar seus bens. A companhia brasileira está no Equador há mais de 20 anos e possuía outras 4 obras em andamento, onde empregava 3 mil trabalhadores.

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